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“Precarização laboral e desvalorização salarial é objetivo do governo e da troika”

Na sessão de abertura do Fórum Socialismo 2013, a coordenadora do Bloco de Esquerda acusou Pedro Passos Coelho de ter a Constituição como um alvo a abater e afirmou que toda a política do governo PSD/CDS-PP tem como objetivo a precarização laboral e a desvalorização salarial”.

A sessão de abertura do Fórum Socialismo 2013 teve lugar nesta sexta-feira no Liceu Camões, em Lisboa. Esta sessão começou com a intervenção da coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, a que se seguiu a exibição em estreia do minidocumentário "Ninguém pode ficar para trás na crise". Este documentário foi filmado este verão por Jorge Costa e Bruno Cabral, sobre algumas das redes de solidariedade com as vítimas da austeridade da troika. A encerrar a sessão de encerramento do fórum interveio a deputada grega do Syriza Theano Fotiou.

Na intervenção de abertura, Catarina Martins começou por salientar duas notícias que se destacaram durante esta semana: o chumbo pelo Tribunal Constitucional da lei de mobilização especial na função pública, que visava despedir funcionários públicos, e a manipulação dos dados enviados para o FMI para impor cortes salariais em Portugal.

A coordenadora do Bloco acusou o primeiro-ministro de ter a Constituição da República como um alvo a abater.

"Pedro Passos Coelho decidiu que a Constituição era um alvo a abater, muito embora não tenha sufragado esse programa e não tenha sequer maioria para o fazer. É assim a democracia. Para alterar a Constituição é preciso ter dois terços dos deputados", realçou a deputada.

A coordenadora do Bloco de Esquerda frisou que o plano de reajustamento da troika e toda a política do governo PSD/CDS-PP têm como objetivo a precarização laboral e a desvalorização salarial.

Catarina Martins denunciou as mentiras do governo e do FMI, nomeadamente a mentira de que tinham baixado os salários apenas para 7% dos trabalhadores. "65 por cento das pessoas que estão a trabalhar têm os salários congelados e, portanto, a verdade é que 92 por cento das pessoas que hoje trabalham em Portugal têm menos salário, por via do congelamento ou da baixa do salário", salientou a deputada, lembrando ainda que “centenas de milhares de pessoas perderam o emprego”.

Catarina Martins desmontou também as ideias propagadas pelo governo de que os funcionários são privilegiados ou que há funcionários públicos a mais. A deputada referiu também que têm sido despedidos funcionários públicos, lembrando o caso dos professores contratados, afirmou que o número de funcionários públicos foi reduzido de 700 mil para 500 mil, um corte de 20%, e que o peso dos salários da função pública em relação ao PIB é menor do que a média nos países da OCDE e nos EUA.

A coordenadora do Bloco de Esquerda destacou ainda que “o que está em causa é muito mais que os funcionários públicos, é desvalorizar salários e o que queremos do nosso Estado”, considerando que “o investimento em Estado Social é que pode enfrentar os atrasos do país” e que “Estado social não é custo, é desenvolvimento e riqueza”.

Lembrando o apoio do governo às escolas privadas e os contratos com o setor privado na saúde, Catarina Martins afirmou que “para este governo nunca há interesse público”, considerando que o governo PSD/CDS-PP “vê o Estado como porta giratória para os interesses privados”.

O Fórum Socialismo 2013 prossegue neste sábado (veja programa) e a sessão de encerramento será às 18 h.

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