“Orçamento do Estado ultrapassa todas as linhas vermelhas”

13 de outubro 2013 - 12:17

Mesa Nacional do Bloco de Esquerda adverte que Orçamento de Estado para 2014 atingirá todos os portugueses e deixará o país à beira do segundo resgate. João Semedo excluiu qualquer hipótese de entendimento com o PS de António José Seguro, que acusa de ter escolhido o "lado direito do campo político".

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Mesa Nacional convocou uma "jornada nacional popular pelo chumbo do Orçamento do Estado". Foto de Paulete Matos

A Mesa Nacional do Bloco de Esquerda reuniu-se sábado e debateu o Orçamento do Estado para 2014 e os resultados das eleições autárquicas.

"Este é o Orçamento do Estado que ultrapassa todas as linhas vermelhas, porque não apenas atingirá pela primeira vez os titulares de pensões de sobrevivência, mas porque atingirá todos os portugueses, porque lhes retira salários, pensões e reformas, mas também pela degradação dos orçamentos dos serviços público", disse João Semedo na conferência de imprensa no final da reunião.

Para o coordenador do Bloco, o Orçamento "põe o país na antecâmara do segundo resgate ou de qualquer programa semelhante que garanta austeridade para todo o sempre". Questionado sobre as perspetivas de entendimento entre Bloco e PS, Semedo excluiu-as frontalmente, acusando o PS de António José Seguro de apoiar um segundo resgate e de ter escolhido o lado direito do campo político. "Este segundo resgate terá a aceitação, o apoio, a assinatura do Partido Socialista", sublinhou. "Quando ouço Francisco Assis dizer que o PS deve assinar, apoiar um segundo resgate, isto é o mesmo que dizer que o Partido Socialista não olha para a sua esquerda, só olha para a sua direita e isso inviabiliza qualquer entendimento à esquerda", declarou.

O Bloco, pelo contrário, defende a necessidade de demitir o governo e convocar eleições antecipadas e, nesse sentido, convocou uma "jornada nacional popular pelo chumbo do Orçamento do Estado", que coincidirá com o debate na especialidade do Orçamento e que tem por objetivo revelar ao país "as linhas vermelhas" do documento e as propostas avançadas pelo Bloco.

A Mesa Nacional aprovou igualmente um apelo à participação nas manifestações da CGTP, no dia 19, e do movimento Que se Lixe a Troika, no dia 26 de outubro.

Balanço das autárquicas

Sobre os resultados do Bloco de Esquerda nas últimas eleições autárquicas, a Mesa Nacional afirma que estes se inserem “na linha de maus resultados que o Bloco tem tido em sucessivas eleições autárquicas desde 2001 e são agravados em relação a 2009, também em linha com a evolução eleitoral negativa que o Bloco observou desde então”. Apesar de o Bloco ter hoje um programa autárquico mais consolidado, candidatos e autarcas mais capazes e experientes e um património de intervenção local mais rico, “essa evolução continua a não se refletir positivamente nos resultados eleitorais, o que constitui um desafio e uma responsabilidade sobre o Bloco e em particular sobre a sua direção”.

A Mesa avalia que “na maior parte dos casos, o Bloco não conseguiu mobilizar o eleitorado nem em torno dos seus programas locais, nem em torno da contestação à política do Governo, o que exige, no futuro, uma maior afirmação do Bloco quer como partido de protesto quer como força de alternativa à esquerda”.

A direção do Bloco decidiu assim organizar, em outubro e novembro, reuniões com as estruturas distritais e concelhias “para concretizar um balanço político deste combate eleitoral e para identificar e promover as mudanças necessárias na estrutura organizativa do Bloco e na articulação da direção com as estruturas locais do Bloco, tendo por objetivo dinamizar e aumentar o apoio à intervenção local dos ativistas e a sua participação na vida do partido, e alargar territorialmente a base local do Bloco”.

A Mesa Nacional decidiu também realizar um encontro nacional sobre organização de base, intervenção local e trabalho de direção.