“A Horta do Monte tem de continuar”

25 de junho 2013 - 22:48

João Semedo insiste que o trabalho da Horta do Monte tem um potencial pedagógico enorme e que deve prosseguir, mas que não há contradição entre este projeto e o do jardim-miradouro. Defende que o uso da violência policial é deplorável e que o diálogo a tempo e horas será sempre melhor do que retro-escavadoras às seis da manhã.

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João Semedo afirmou ser imprescindível que a Câmara “abra um inquérito sobre os acontecimentos desta manhã e apure responsabilidades”. Foto de Paulete Matos

O coordenador do Bloco de Esquerda e candidato do partido à Câmara Municipal de Lisboa considerou que os acontecimentos que ocorreram na manhã desta terça-feira na Horta do Monte são lamentáveis e constituem um exemplo da pior maneira de governar uma cidade. “A utilização da violência policial é deplorável e apenas serviu para radicalizar um diferendo que, do meu ponto de vista, pode ser ultrapassado através da participação de todas as partes na tomada de decisão”, disse João Semedo, que afirmou ser imprescindível que a Câmara “abra um inquérito sobre os acontecimentos desta manhã e apure responsabilidades”.

“O diálogo a tempo e horas será para nós sempre melhor do que retro-escavadoras às seis da manhã”, ironizou o médico e deputado. “Propostas de entendimento serão sempre melhores do que factos consumados”.

Trabalho de seis anos

João Semedo lembrou que as pessoas que fazem o projeto da Horta do Monte trabalham há seis anos, no quadro de enormes limitações e nenhum apoio, para qualificar um terreno votado ao abandono há demasiado tempo. “É fundamental que sejam ouvidos na implementação das soluções para aquele espaço. Digo-o com a convicção de que a participação não é um entrave, não é um bloqueio, é o caminho mais rápido para as melhores soluções”.

O candidato do Bloco disse que a criação de um jardim naquela zona é uma obra imprescindível que já deveria ter sido implementada há muito tempo. Mas ponderou que “Não há nenhuma razão para que estes dois projetos não possam ser conciliados”. Semedo disse estar convencido de que o trabalho da Horta do Monte tem um potencial pedagógico enorme e a sua combinação com um espaço de lazer só aumenta esse potencial. “Por isso, defendemos que o projeto para o Jardim-miradouro deve incluir um espaço que permita à Horta do Monte prosseguir o seu trabalho, no quadro da lógica que lhe tem dado sentido”.

E concluiu: “Assim, o apelo que faço é para que o diálogo seja retomado e que a Câmara garanta que, após a requalificação daqueles terrenos, será assegurado um espaço para que a Horta do Monte possa continuar a existir. Defendo ainda que a Câmara deve potenciar ao máximo a existência deste espaço e deste projeto, nomeadamente no apoio a atividades em conjunto com as escolas circundantes e os moradores em geral”.