Global Sumud Flotilla

Carta dirigida a António Costa, Ursula von der Leyen, Kaja Kallas e Roberta Metsola pede também que a UE apoie e proteja a missão humanitária que navega para Gaza.

Sete embarcações da flotilha com destino a Gaza foram alvo de ataques com drones na madrugada de quarta-feira. Mariana Mortágua diz que a estratégia de intimidação não vai travar a missão humanitária. 

A caminho de Gaza, a Global Sumud Flotilla responde à campanha do Governo israelita que retrata a missão humanitária como “uma ameaça à segurança” do país. Israel insiste em acusar a flotilha de ser “organizada pelo Hamas”.
 

A ideia parece ser intimidar, enquanto os ativistas a bordo treinam respostas não violentas em caso de ataque israelita. Mariana Mortágua diz que após o reconhecimento “tardio” do Estado da Palestina, Portugal tem de avançar para sanções para que “amanhã haja Palestina”.

Numa declaração conjunta, os governos prometem responsabilizar quem atacar a flotilha em águas internacionais. Portugal ainda não consta da lista de subscritores.

A bordo da Flotilha para Gaza, Mariana Mortágua insta o Governo a reconhecer sem condições o Estado palestiniano. Miguel Duarte lembra que o genocídio em Gaza tem servido também “para esconder todos estes crimes que estão a acontecer na Cisjordânia”.

Dezenas de barcos saíram do porto de Bizerte no domingo para a última etapa da missão que visa levar ajuda humanitária a Gaza. A eles irão juntar-se em águas internacionais mais barcos vindos e Itália e da Grécia.

Em entrevista a Amy Goodman para o Democracy Now!, Mariana Mortágua e Saif Abukeshek falam dos ataques à flotilha e da importância da mobilização social que obrigue os governos a agirem para que o genocídio de Israel em Gaza possa ser travado.

Num recuo face às anteriores declarações do responsável pela Guarda Nacional, o Ministério do Interior anunciou a abertura de uma investigação aos dois ataques incendiários em menos de 24 horas.

Mariana Mortágua contou a partir do barco em que está como se deu o ataque contra o Alma que causou um incêndio a bordo. Apesar das testemunhas e das imagens do engenho explosivo, as autoridades tunisinas recusam investigar e dizem ter sido “um isqueiro ou uma ponta de cigarro” a provocar o incêndio.

Dezenas de eleitos de cinco grupos parlamentares querem ver condenação por parte das instituições europeias do ataque à flotilha. Também a Aliança de Esquerda Europeia condenou o ataque, exigindo a passagem segura da flotilha humanitária e sanções europeias a Israel.

Fotos de Ana Mendes.

“A ajuda humanitária tem de chegar a Gaza”, exige este apelo público aos líderes da Comissão, Conselho Europeu e Governo português na sequência das ameaças israelitas e do ataque desta madrugada com drones em Tunes. 

O Família Madeira tem bandeira portuguesa. O ataque causou danos superficiais e um incêndio a bordo. Todos os participantes estão bem, diz Mariana Mortágua, e a organização vinca que “a missão não será detida por atos de agressão que visam intimidar e impedi-la”. Esta terça-feira às 18h30 há concentração de apoio á flotilha no Largo Camões, em Lisboa.

Em Tunes, a Flotilha foi recebida em festa. Alguns dos ativistas saíram dos barcos e prestaram declarações enquanto outros se mantiveram a bordo para prevenir sabotagens. Enquanto não se lhes juntam, os ativistas provenientes da Sicília fazem uma leitura simbólica dos nomes das crianças mortas em Gaza pelo ocupante israelita.

Na Tunísia, uma onda de solidariedade continua a mobilizar-se em torno da expedição humanitária que pretende romper com o bloqueio à chegada de auxílio humanitário a Gaza. Os barcos previstos já estão cheios com donativos mas os tunisinos continuam a fazer longas filas na esperança de ajudar.

Numa carta à Flotilha, o presidente colombiano solidariza-se com a missão humanitária escrevendo: “que o vento leve os vossos barcos com a força da história, que o mar vos abra os braços e que o mundo ouça a vossa mensagem: Gaza não está sozinha” e “a humanidade não pode mais permanecer em silêncio”.

Ben-Gvir diz que vai tratar como “terroristas” todos os participantes na viagem para fazer chegar ajuda humanitária a Gaza. A Flotilha vinca que a sua missão é “humanitária, legal e imparável”.

A próxima paragem da flotilha humanitária com destino a Gaza é Tunes, onde se lhe juntarão as embarcações vindas do Magrebe e mais ativistas e parlamentares de vários pontos do globo, incluindo o neto de Nelson Mandela. Também de Itália se juntarão mais barcos depois de 40.000 pessoas terem assistido em Génova à sua saída.

É a terceira vez que a ativista sueca marca presença na Flotilha de solidariedade com Gaza. Em conversa com Mariana Mortágua, explica as razões do seu apoio ativo a esta causa.