Agência Lusa

Trabalhadores concentraram-se em frente à Assembleia da República para contestar estatutos impostos pelo Governo e defender viabilização de propostas que permitam debater um modelo que garanta independência da agência de notícias.

Além de uma iniciativa para revalorizar a única agência noticiosa portuguesa, o Bloco questionou o ministro Leitão Amaro sobre comportamentos intimidatórios do seu assessor contra a Comissão de Trabalhadores da agência.

Greve parcial alertou que os novos estatutos e o modelo de gestão que o Governo quer implementar levantam riscos de governamentalização da informação da agência de notícias. 

O plenário desta semana concluiu que os recém-publicados estatutos da agência de notícias agravam os riscos de governamentalização e contrariam a proteção de independência que a Constituição e as regras europeias garantem.

A eurodeputada do Bloco quer que a Comissão Europeia se pronuncie sobre a compatibilidade dos novos estatutos com o regulamento europeu relativo à liberdade dos meios de comunicação social.

O novo vice-presidente da agência Lusa trabalhava em projetos do fundo Alpac Capital, ligado a figuras próximas do regime húngaro, que detém a Euronews e em Portugal o semanário Nascer do Sol.

Na redação do diário a adesão foi de “quase 100%”. Assim, o seu serviço noticioso nas plataformas digitais e redes sociais foi “perturbado” e a sua edição impressa não saiu. Também a agência Lusa parou por completo desde a meia noite de quinta-feira até ao fim da greve. Dois exemplos de uma jornada de luta considerada “histórica”.

A compra da participação de 45,7% do capital da Lusa por um fundo sediado nas Bahamas levanta problemas de transparência e escrutínio, afirma a Comissão de Trabalhadores, o Conselho da Redação e três sindicatos num comunicado conjunto.

 

A intenção anunciada do Global Media Group de despedir centena e meia de trabalhadores devia merecer "resposta célere" do Governo, defendem os deputados bloquistas. Reforço do Estado no capital da Lusa tinha apoio de uma "amplíssima maioria" parlamentar, diz José Soeiro.

Trabalhadores continuam a exigir aumento de 100 euros no salário base, após "12 anos sem aumentos". Ao todo serão oito dias de greve e a paralisação de agosto coincide com visita papal.

Sofia Branco, do Conselho de Redação, disse ao Esquerda.net que a degradação dos serviços da agência noticiosa tem graves repercussões na própria democracia: “A Lusa é um serviço público, tal como a RTP, e faz falta ao país”. Paralisação durará 4 dias e haverá muitas vigílias, concentrações e ações de sensibilização da população.