O Governo anunciou na semana passada o novo Conselho de Administração da agência Lusa, em conjunto com novos estatutos e um aumento do capital em 5 milhões de euros, concluindo o processo de aquisição da totalidade do capital da agência Lusa por parte do Estado.
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Fundo ligado a Orbán que comprou jornais portugueses foi multado pelo regulador
O presidente do Conselho de Administração, Joaquim Carreira, foi reconduzido, e na nova administração vão acompanhá-lo enquanto vice-presidentes a economista Ana Alves e o jornalista Luís Ferreira Lopes, que até agora trabalhava em projetos detidos pelo fundo Alpac Capital.
Luís Ferreira Lopes fez carreira no jornalismo económico em vários órgãos de comunicação, foi editor de economia na SIC e esteve na fundação da SIC Notícias. Interrompeu o trabalho no jornalismo para ser assessor de Marcelo Rebelo de Sousa no primeiro mandato em Belém para a área das Empresas e Inovação. Em 2022 tornou-se diretor executivo do Conselho da Diáspora Portuguesa e no ano seguinte iniciou a sua atividade nas publicações detidas pelo fundo Alpac Capital, sendo nomeado diretor executivo da Newsplex/Sol e responsável por desenvolver o projeto multiplataforma “Portugal Amanhã”.
Em 2024, anunciou a saída deste projeto, mas não da órbita do fundo liderado por Pedro Vargas David, filho do ex-eurodeputado do PSD Mário David, que foi conselheiro de Viktor Orbán. Seguiu-se a Euronews, adquirida em 2021 por este fundo de capital de risco num negócio que envolveu veículos financiados com dinheiros públicos da Hungria.
O jornalista Luís Ferreira Lopes não é a primeira pessoa recrutada pelos Governos de Luis Montenegro nas publicações do fundo apontado como testa de ferro de Viktor Orbán. Pela Euronews passou também Cristina Vaz Tomé, a secretária de Estado da gestão da Saúde que saiu do Governo no meio do caos do INEM e iniciou funções este mês no cargo de presidente da administração do Metropolitano de Lisboa.
Antes de ser anunciada a nomeação, os sindicatos representativos dos trabalhadores da Lusa manifestaram preocupação com o facto de o plano de restruturação estar a ser discutido à sua revelia e apelaram à criação de salvaguardas face a riscos de influência externos, “designadamente de ingerência e controlo político na linha editorial e na governação”.