As Organizações Representativas dos Trabalhadores da Agência Lusa emitiram um comunicado conjunto, no qual "rejeitam que a única agência de notícias de Portugal tenha como acionista um fundo de investimento estrangeiro sobre o qual nada se sabe”.
A entrada no capital da Lusa por parte do World Opportunity Fund, um veículo sediado nas Bahamas e pertencente ao fundo suíço Union Capital Group, deu-se com a compra ao grupo de Marco Galinha da maioria da empresa Páginas Civilizadas, que por sua vez controla a maioria do capital do Global Media Group. Com o negócio, o fundo passa a controlar as publicações do grupo, agora ameaçadas com o despedimento de até 200 profissionais, e 45,71% da Lusa.
Os trabalhadores da agência de notícias defendem que a Lusa “tem de ter garantida a autonomia, independência e isenção, pelo que o Estado, através do Presidente da República, da Assembleia da República e do Governo e a sociedade em geral devem ser os primeiros interessados em preservar a independência da agência de notícias”, sobretudo num contexto em que se precisa “cada vez mais de órgãos de comunicação social fortes”.
No comunicado assinado pela Comissão de Trabalhadores, Conselho de Redação, Sindicato dos Jornalistas (SJ), Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços (Sitese) e Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas (SITE-CSRA), é também sublinhado que a importância da Lusa “não se coaduna com a falta de transparência sobre a propriedade”, pelo que é fundamental saber quem são os acionistas da empresa para que possam ser escrutinados.
Os trabalhadores afirmam também que o Estado perdeu a oportunidade de resolver a questão através da compra daquela participação, um negócio que esteve quase finalizado mas que o PSD travou à última hora, defendendo que deve ser remetido para o próximo Governo, levando o Ministério da Cultura a recuar alegando falta de consenso alargado.