Liberdade de imprensa

Bloco quer reforçar independência da Lusa e exige esclarecimentos sobre intimidação a trabalhadores

08 de maio 2026 - 10:40

Além de uma iniciativa para revalorizar a única agência noticiosa portuguesa, o Bloco questionou o ministro Leitão Amaro sobre comportamentos intimidatórios do seu assessor contra a Comissão de Trabalhadores da agência.

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Agência Lusa
Foto de António Cotrim/Lusa.

No projeto de resolução entregue no Parlamento, propõe-se a extinção do Conselho Consultivo da Lusa, atualmente responsável por pareceres não vinculativos sobre as designações para o Conselho de Administração e o diretor de informação, e a revisão do modelo de governação da empresa. O objetivo é garantir um processo de nomeação dos administradores mais transparente, plural e independente, com responsabilidade partilhada entre Assembleia da República, acionista público e representantes dos trabalhadores.

O Bloco propõe ainda a audição anual do presidente do Conselho de Administração no Parlamento, a integração dos trabalhadores na administração como membros não executivos, e a elaboração de um Livro Branco sobre a Lusa, à semelhança do que sucedeu com a RTP, que faça um diagnóstico rigoroso da situação económica, financeira, laboral e editorial da empresa.

A iniciativa inclui também a classificação do arquivo da agência como tesouro nacional e medidas de combate à precariedade, com destaque para a integração de vínculos precários e a revisão da tabela salarial. Para os bloquistas, num contexto de concentração mediática e desinformação, uma agência noticiosa forte e independente é essencial à qualidade da democracia portuguesa.

O projeto vai ser debatido a 20 de maio, juntamente com iniciativas de outros partidos sobre o modelo de governação da Lusa.

Assessor de Leitão Amaro intimida dirigentes da Comissão de Trabalhadores da Lusa

Em paralelo, Fabian Figueiredo dirigiu ao ministro da Presidência, António Leitão Amaro, uma pergunta sobre o episódio denunciado publicamente pela CT da Lusa. De acordo com a denúncia, no final de uma reunião formal no ministério a 29 de abril, um funcionário do gabinete, que o jornal Público identifica como sendo o fundador e ex-presidente da Iniciativa Liberal Miguel Ferreira da Silva, interpelou os representantes dos trabalhadores em tom alterado durante mais de dez minutos, pondo em causa a sua idoneidade e tecendo comentários classificados como provocatórios e insultuosos.

A exposição, subscrita pelo Sindicato dos Jornalistas, pelo SITESE e pelo SITE, refere que o funcionário acusou os jornalistas a propósito de notícias recentes sobre a Lusa, sem as especificar, e demonstrou total desconhecimento das funções das comissões de trabalhadores, dos sindicatos e das direções jornalísticas. Os representantes da CT afirmam ter-se sentido "insultados e infantilizados". O próprio chefe de gabinete reconheceu por escrito que a conduta foi inadequada.

O Bloco quer saber que medidas concretas vão ser tomadas e questiona se o assessor reúne ainda condições de idoneidade e de confiança política para se manter em funções.

O partido pergunta também a que notícias se referia o funcionário e como tenciona o Governo, no processo em curso de definição do novo modelo de governação da Lusa, garantir a liberdade editorial dos jornalistas e afastar qualquer suspeita de ingerência política.