Indiferente à escolha democrática marcada para 5 de junho, a UE quer aprovar já em maio o terror social que nos reserva para os próximos anos. É para isso que serve o simulacro de negociações com o tripé doméstico do FMI.
A troika PS/PSD/CDS candidata-se ao cargo de regente do FMI. A esquerda candidata-se para um governo democrático que sirva os interesses da população. A esquerda rejeita esta “ajuda” de maçã envenenada.
Tomar de ânimo leve o processo argentino como exemplo do que deve ser a nossa resposta perante o FMI é sinal de ignorância em relação aos factos e à própria experiência das esquerdas argentinas na sua luta contra a dependência e recessão.
Obama justificou os recentes ataques militares à Líbia com estas palavras: “Assassinaram pessoas inocentes. Atacaram hospitais e ambulâncias. Prenderam, agrediram e assassinaram jornalistas”. Agora ocorre o mesmo no Bahrein e Obama não tem nada a dizer.
A igualdade na lei não chega para transformar a vida real. Hoje, em Portugal, as mulheres ainda despendem mais quatro horas do que os homens em trabalho não pago.
Os islandeses voltaram a dizer “Não!”: “não assumimos a responsabilidade dos erros cometidos por um banco”. Se quisermos fazer uma equivalência directa ao que se passa actualmente em Portugal, o que os islandeses fizeram foi recusar salvar o seu BPN pelos erros que cometeu.
O INIR veio confirmar a quebra brutal de tráfego médio diário na ordem dos 50% na A29, A41 e A42 e cerca de 25-30%, na A28. Qual o custo total para as pessoas e de todos estes atrasos na economia? Certamente muito maior que a receita das portagens.
O que se passa na Islândia é a resistência popular a levar ao limite as possibilidades que lhe são institucionalmente atribuídas. E é, nesse sentido, uma exposição crua dos limites à soberania popular da presente configuração da ordem económica.
Numa altura em que nos transformámos todos/as em vítimas do monstro da especulação, há ainda quem ache que se deve substituir a alimentação compulsiva do monstro por uma dieta saudável que ele seria simpático em aceitar.