A troika e o tripé

porLuís Branco

20 de abril 2011 - 1:44
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Indiferente à escolha democrática marcada para 5 de junho, a UE quer aprovar já em maio o terror social que nos reserva para os próximos anos. É para isso que serve o simulacro de negociações com o tripé doméstico do FMI.

Sem surpresa, PSD e CDS não faltaram à chamada. Apesar de não ter comparecido à reunião com a troika, Paulo Portas fez um ar sério ao relatar os pormenores do encontro aos jornalistas. Outro ausente destas "negociações" foi Passos Coelho, que à mesma hora dava uma entrevista na rádio a anunciar a privatização da segurança social. Foi pelo líder do PSD que se ficou a saber que só para a semana é que a troika vai "testar" as medidas com os três partidos dispostos a governar com o programa do FMI.



Com a obediência garantida do tripé doméstico, a troika internacional tem as mãos livres para impor a agenda do desemprego e das privatizações no próximo Ecofin. Mas o que está em causa na ida às urnas, três semanas mais tarde, fica ainda mais evidente.



Em junho, o tripé do FMI que nos trouxe a esta crise vai a votos apoiado na chantagem dum empréstimo em condições desastrosas para a economia. Ao recusar a irresponsabilidade de fazer de figurante nessa chantagem, a esquerda escolheu o seu caminho: o de quem responde pelas alternativas que defende, a começar pela transparência das contas da dívida existente e por propostas claras que finalmente obriguem a pagar quem até hoje só lucrou com os nossos sacrifícios.

Mais do que nunca, agora é tempo de ser exigente. E com esta força a crescer até 5 de junho, o tripé não se aguenta.

Luís Branco
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