Antes das férias o Álvaro apressou-se a passar na generalidade a nova lei das compensações por despedimento. Já depois das férias sentiremos o seu efeito.
Porque são sempre as mesmas áreas que se insurgem primeiro, o que quer que seja a causa? Pura coincidência? Estará relacionado com a raça, a classe, a pobreza institucionalizada e a tristeza da vida difícil do dia-a-dia?
O contexto em que se desenrolam os tumultos de Londres não os torna mais toleráveis, mas olhá-los num plano mais alargado dá-nos uma panorâmica dos danos e riscos que as políticas de austeridade representam.
O PES custará, pelas contas do Governo, 400 milhões de euros no primeiro ano; de uma assentada, foram oferecidos 510 milhões de euros ao BIC para ficar com o BPN.
Pelos vistos, não haverá mais escolas públicas, apenas encerramentos de escolas públicas para dar tudo às escolas privadas. E, neste caminho, a universalidade só será garantida através da subsidiação pública das escolas privadas.
Não deixa de ser caricato que os banqueiros, sempre tão rápidos a avaliar as políticas económicas, resistam agora à avaliação da qualidade dos activos detidos pelos bancos.
O Plano de Emergência Social anunciado pelo Governo dá corpo a uma descaracterização profunda do contrato social em que assentou a democracia portuguesa desde o 25 de Abril.
O grupo Jerónimo Martins e em particular o seu maior accionista, Alexandre Soares dos Santos, decidiram em Carta Aberta reconhecer que os salários que pagam aos seus trabalhadores/as são miseráveis e de forma “solidária” ajudar os trabalhadores em situações de necessidade extrema.
Este ano não há direito a silly season. Pelo contrário, tudo o que se está a passar é de tal forma grave que não permite descanso. Um Verão tão Quente que não convida a banhos.
Aproveito o verão para partilhar algumas inquietações que vão para lá do presente absoluto. Basicamente, sobre a articulação entre programa, acção colectiva, pensamento crítico e razão estratégica.