Em 2014 teremos eleições – europeias, certamente; legislativas, provavelmente. O resgate sofrerá uma mutação mas, com o predomínio dos mesmos, teremos as mesmas políticas. E o ano será também marcado pelas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril.
Enquanto 365 dias passavam, Cavaco continuou a admirar o sorriso das vacas. Não pediu a fiscalização preventiva do OE para 2014, mostrando que para o PSD e o CDS a política austeritária e o programa de resgate da banca está acima da própria constituição.
Com 2014 prestes a iniciar-se, mudada a liderança da Câmara do Porto, não há razões para ter boas expectativas sobre política municipal para animais de rua.
Os governantes e patrões que têm dirigido o país nas últimas décadas só irão recuar no dia em que sentirem que os seus interesses económicos estão ameaçados.
Há muito da obscuridade da Opus Dei nestes tempos que enfrentamos. Não apenas muita gente dessa seita nos lugares que governam o país e o mundo, mas sobretudo uma narrativa que se incrusta nas ideias coletivas e individuais.
Neste tempo em que a pobreza e a saída dela são estigmatizadas como responsabilidades pessoais, estar com os últimos como projeto de vida faz da política o seu campo de materialização privilegiado.
A pobreza, atualmente, já não implica apenas não ter trabalho, o dinheiro não chegar até ao fim do mês, não poder pagar a renda da casa ou a prestação do empréstimo, mas também, não poder acender a luz, tomar um duche ou ter aquecimento.
Estou convencido de que não há cidades especiais e de que a criatividade humana é transversal a muitas atividades, mas precisa ser nutrida e sustentada num meio ambiente (ecossistema) propício.