Um ato de desespero para garantir um grande negócio aos privados. Só assim pode ser lida a decisão do Governo de, por ajuste direto, à revelia de todas as regras e contra a opinião de utentes, autarcas (reunidos na passada sexta-feira) e trabalhadores, concessionar os transportes do Porto.
Os Conservadores têm as melhores soluções para os problemas da pobreza, mas não falam ao coração. Este é o argumento de Arthur C. Brooks, no seu livro “O Coração Conservador".
Ao triunfo de Trump e de tantos demagogos que aparecem (olá Europa...), cola-se uma frase do romance de George Orwell, "O triunfo dos porcos": "o homem não serve os interesses de nenhuma criatura excepto ele próprio".
Desde pequena que se questiona sobre o destino das palavras quando não se diz o que se sente. Durante muito tempo habituou-se a ignorá-las. Engolia-as sem as mastigar, sem conseguir mesmo, por vezes, entender o que lhe queriam transmitir.
Infelizmente, temos o hábito de ver crises de refugiados por todo o lado num mundo tomado por instabilidade e guerras. O que já não é tão comum é ver o espancamento de refugiados ou, incendiarem-lhes as casas, em territórios que eles julgavam já serem seguros.
Como é que os idiotas nos dirão que se volta a melhorar a situação? Da maneira de sempre: despedimentos, privatizações, precarização, cortes de salários e perda de direitos, de igualdade e de democracia.
A polémica originada pela recusa de Passos Coelho em participar nos debates alargados sem a presença de Paulo Portas, pode bem ser o último estertor da silly season, mas diz-nos bastante sobre a estratégia da coligação.
Um conhecido comentador político de fim-de-semana e ex-Presidente do PSD afirmou a propósito das eleições legislativas que aos portugueses não restava outra solução senão a de terem “juizinho” no momento do voto.
O ser humano tem a tendência a organizar as outras pessoas de acordo com conceitos fáceis e muitas vezes redutores. Penso que reside aí a génese de muitos preconceitos da sociedade atual.
O que Passos Coelho pediu ao país, no Pontal, foi que se entregasse a um exercício coletivo de negação sobre os últimos quatro anos e embarcasse na sua prodigiosa fantasia de noite de ano novo.