Rússia: Advogada incómoda diz ter sido envenenada

15 de outubro 2008 - 18:19
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karina Moskalenko alega que as auotirdades russas estarão por trás da tentativa de envenenamentoA advogada da família da jornalista russa Anna Politkovskaya, assassinada há dois anos e cujo caso começa a ser julgado esta quarta-feira, denunciou que foi envenenada junto com o marido e os três filhos, supostamente com mercúrio. Karina Moskalenko ficou famosa pelas vitórias sobre a Rússia no tribunal europeu dos direitos humanos, onde ganhou 30 casos, e onde ainda tem pendentes mais de 100 denúncias.  

A advogada relatou à imprensa russa que ela, o marido e os três filhos, residentes em Estrasburgo, foram hospitalizados recentemente após sentirem fortes sintomas de envenenamento, como náuseas, vómitos, tosse e dores de cabeça. Durante uma revisão do automóvel da família, este domingo, foi encontrada debaixo do capot uma grande quantidade de uma substância semelhante ao mercúrio, que foi recolhida pela polícia francesa para investigação.



Karina Moskalenko suspeita que esta tentativa de envenenamento possa estar relacionado a sua participação no processo pelo assassinato de Anna Politkovskaya, a jornalista russa que foi assassinada há dois anos e que se destacou por artigos muito críticos da actuação de Putin na Chechénia. Moskalenko explicou que o seu estado débil e o envenenamento dos filhos e do marido não lhe permitem assistir na quarta-feira à audiência preliminar do caso de Politkovskaya.

A advogada também representa os interesses do político opositor e ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov e de vítimas de torturas na Chechénia. Ficou famosa pelas vitórias sobre a Rússia no tribunal europeu dos direitos humanos, onde ganhou 30 casos para pessoas que não tinham encontrado justiça na Rússia, e onde ainda tem pendentes mais de 100 denúncias. Moskalenko foi também advogada de familiares das vítimas dos reféns no teatro Dubrovka de Moscovo, em 2002, e da escola de Beslan, na Ossétia do Sul, em 2004, que acusam o Governo russo da morte de familiares pelas caóticas operações de "salvamento". O falecido ex-espião e dissidente russo Aleksander Litvinenko, envenenado em Londres em 2006 com polónio, também foi cliente de Moskalenko.