Bye Bye Blair

27 de junho 2007 - 11:09
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tonyblair1Anthony Charles Lynton "Tony" Blair deixa hoje o governo do Reino Unido depois de um reinado de dez anos. Sai marcado pelo desastre do Iraque e pela aliança irredutível com o presidente George W. Bush, que atinge, tal como ele, recordes de impopularidade. Sai na tentativa de impedir a queda do seu Partido Trabalhista, que o substituirá pelo actual ministro das Finanças, Gordon Brown. Só a saída de Blair deu uma injecção de ânimo no partido: apesar de Brown ser tudo menos carismático, uma sondagem do Observer publicada no fim-de-semana pôs pela primeira vez os trabalhistas à frente dos conservadores. Ainda não é certo se Blair vai receber o anunciado cargo de enviado ao Médio Oriente, mas, se se confirmar, Blair deve renunciar ao mandato de deputado.

A nomeação de Blair como enviado especial do Quarteto (EUA, Rússia, ONU e UE) para intermediar o conflito israelo-palestiniano, porém, ainda não é certa, devido às resistências da Rússia, e apesar de o nome de Blair ser o único na mesa. Moscovo não esqueceu as acusações de Blair a Moscovo quando explodiu o caso de Alexander Litvinenko, um antigo agente do KGB exilado em Londres, vítima de envenenamento por polónio-210. A Rússia contesta também a aposta no isolamento do Hamas que está a ser seguida pelos EUA, Israel e a União Europeia.

O próprio Blair, entretanto, parece estar encantado com a missão: "Todos os que se preocupam com a paz e estabilidade no mundo sabem que uma solução duradoura terá de passar pela resolução deste conflito", sublinhou ontem, na última conferência de imprensa que deu, ao lado de Arnold Schwarzeneger.

O apoio de Blair para a nova missão também encontra muitas dúvidas em casa, segundo um artigo do prestigiado Financial Times. Em privado, o sucessor de Blair, Gordon Brown, tem-se mostrado descontente com a nomeação. O Foreign Office, o ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, não terá sido consultado; e Brown estava ansioso por mostrar que tem uma política completamente diferente da de Blair para o conflito, que passaria não pela colagem a Israel e aos EUA mas pelo auxílio económico à Palestina, como condição fundamental para uma solução duradoura.

Segundo o jornal, dois funcionários importantes do Ministério das Finanças trabalharam durante dois anos, sob orientação de Brown, num plano de recuperação detalhado da economia palestiniana. A nomeação de Blair deve deitar todos esse trabalho por água abaixo.

Brown tem também dúvidas sobre a capacidade de Blair para mediar o conflito, devido à desconfiança que encontrará em todos os representantes do mundo árabe, que o vêem como um incondicional dos EUA e de Israel.