Na sequência da ofensiva do Hamas na faixa de Gaza, o presidente palestiniano, Mahmud Abbas, decidiu hoje demitir o governo de unidade entre o Hamas e a Fatah, proclamando o "estado de emergência" nos territórios palestinianos. Segundo fontes da autoridade palestiniana, Abbas já terá informado os Estados Unidos, o Egipto e a Jordânia e vai pedir a presença de uma força multinacional na faixa de Gaza.
Os confrontos entre o Hamas e a Fatah já provocaram quase uma centena de mortos nos últimos dias. Enquanto o Hamas já controla praticamente toda a Faixa de Gaza (depois da tomada violenta do Quartal General de Segurança preventiva), a Fatah intensificou as operações na Cisjordânia, tendo prendido alguns militantes do Hamas e incendiado um escritório deste movimento.
A decisão do Presidente Palestiniano era previsível perante a escalada dos confrontos entre o Hamas e a Fatah.
O Hamas já controla praticamente toda a faixa de Gaza, tendo os seus militantes levantado hoje as suas bandeiras verdes sobre um dos últimos bastiões da Fatah na Cidade de Gaza, o Quartel General de Segurança Preventiva. As Brigadas Ezzedine Al-Qassam, o braço militar do Hamas, fizeram um ultimato às forças de segurança leais à Fatah, para que entreguem as armas até 6ª feira às 19h (17h de Lisboa) e ameaçaram atacar o palácio do presidente Abbas em Gaza.
Entretanto, as forças da Autoridade Nacional Palestiniana iniciaram uma campanha de detenção de cerca de 1.500 homens do Hamas. Entre os procurados estão presidentes de câmara do Hamas, universitários e activistas de organizações beneficentes, além de líderes religiosos. A decisão do presidente palestiniano é uma resposta à ofensiva lançada pelo grupo islâmico Hamas na Faixa de Gaza. E é na Cisjordânia que esta campanha ganha força, já que é uma zona controlada pela Fatah: membros deste movimento incendiaram hoje um escritório parlamentar do Hamas em Nablus, Cisjordânia, e já prenderam 16 militantes islâmicos.
Analistas consideram que se o conflito permanecer e um novo acordo não for possível, a Palestina pode ficar dividida: a Cisjordânia controlada pelo Fatah e a Faixa de Gaza sob o comando do Hamas.
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