O ministro palestiniano de Informação, Mustafa Barghouti, da Iniciativa Nacional Palestiniana, disse que o Hamas controla totalmente Gaza e que a crise actual tem implicações mais amplas. "O que está a acontecer não é apenas o colapso do governo de unidade nacional, mas o colapso de toda a Autoridade Palestiniana", disse Barghouti. No entanto, o primeiro-ministro palestiniano, Ismail Haniyeh, disse que a decisão do presidente Mahmoud Abbas de destituí-lo e de dissolver o governo de união nacional foi "precipitada". O Hamas, facção de Haniyeh, afirmou que tem o controle total da Faixa de Gaza, incluindo o complexo presidencial na Cidade de Gaza. p> O presidente Abbas, que pertence à Fatah, anunciou ontem a dissolução do governo de união nacional e decretou o estado de emergência nos territórios palestinianos. Um porta-voz do presidente disse que vão ser convocadas novas eleições assim que a situação nos territórios palestinianos se estabilizar. Disse também que Abbas está aberto à ideia do envio de uma força de paz internacional à região.
Mas numa conferência de imprensa na Cidade de Gaza na manhã de hoje, Ismail Haniyeh, primeiro-ministro e líder do Hamas, disse que vai manter o governo de unidade e impor lei e ordem "decisivamente e legalmente". Haniyeh também descartou a possibilidade de um Estado palestiniano separado na Faixa de Gaza, sem a Cisjordânia.
Na noite de ontem, militantes do Hamas comemoraram a captura do complexo presidencial - que fora abandonado pelos homens da Fatah que fugiram - como a queda do "último bastião" do poder da Fatah em Gaza.
Hoje, um porta-voz do Hamas em Gaza, Abu Obeideh, afirmou que a sua organização prendeu os comandantes da Segurança Nacional e da Guarda Presidencial, além de um porta-voz da Fatah e seis outros membros da organização rival, que estão a ser interrogados. Ao mesmo tempo, chegaram ao Egipto quase cem membros da segurança da Fatah e da administração local que fugiram de Gaza num barco de pesca, depois que o Hamas assumiu o controlo do território
Reacções
O New York Times afirma que o governo americano fracassou no seu plano de enfraquecer o Hamas e fortalecer a Fatah, ao suspender os fundos para o governo e canalizá-los para as forças leais ao presidente Mahmoud Abbas. "As nossas alternativas são limitadas e quase todas são más", disse Martin Indyk, ex-embaixador dos EUA em Israel. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, telefonou a Abbas e disse que seu país o apoiaria nos esforços para manter o controlo da situação.
O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, lançou do Cairo um apelo para o fim imediato dos combates em Gaza, "caso se queira evitar um desastre". A Liga Árabe vai discutir a crise numa reunião de emergência hoje.
A Comissão Europeia anunciou a suspensão da ajuda humanitária à Faixa de Gaza devido ao que classifica como confrontos "suicidas" entre facções.
Leia também:
Presidente palestiniano dissolve governo e declara estado de emergência