O Hamas já controla praticamente toda a faixa de Gaza, tendo os seus militantes levantado hoje as suas bandeiras verdes sobre um dos últimos bastiões da Fatah na Cidade de Gaza, o Quartel General de Segurança Preventiva. As Brigadas Ezzedine Al-Qassam, o braço militar do Hamas, fizeram um ultimato às forças de segurança leais à Fatah, para que entreguem as armas até 6ª feira às 19h (17h de Lisboa) e ameaçaram atacar o palácio do presidente Abbas em Gaza.
Entretanto, a Fatah tenta controlar a Cisjordânia, e as forças da Autoridade Nacional Palestiniana (leais a Abbas) iniciaram uma campanha de detenção de cerca de 1500 militantes do Hamas. Ontem, foram estabelecidos os termos para uma nova trégua. Se não existir acordo a Palestina pode ficar dividida: a Cisjordânia controlada pelo Fatah e a Faixa de Gaza sob o comando do Hamas.
Na 3ª feira à noite, o Comité Central da Fatah ameaçou abandonar o governo se os combates não terminarem. O presidente palestiniano, Mahmoud Abbas qualificou os combates de "loucura" e apelou ao chefe do Hamas no exílio, Khaled Mechaal, a que ponha fim à violência.
Os confrontos entre o Hamas e a Fatah já provocaram mais de 70 mortos desde 7 de Junho.
No episódio mais sangrento registado 4ª feira, militantes do Hamas colocaram uma carga explosiva num túnel situado debaixo do quartel general da Força de Segurança Preventiva, controlada pela Fatah, em Khan Younès, no sul da faixa de Gaza. A explosão destruiu por completo o edifício e 13 pessoas morreram.
Os islamistas completaram durante a madrugada de 3ª para 4ª feira a ocupação dos quartéis generais ligados à Fatah no norte da faixa e já praticamente tomaram o controle total dos do centro da capital. Fontes da segurança egípcia informaram que 40 polícias palestinianos, ligados à Fatah, pediram asilo às autoridades egípcias no posto fronteiriço de Rafah, para fugir aos combates na faixa.
Dois funcionários da agência da ONU para os refugiados palestinianos foram mortos a tiro na faixa de Gaza. A agência, UNRWA, reduziu de imediato as sua operações de apoio à população na faixa de Gaza.
Numa marcha contra a violência em Gaza outras duas pessoas morreram e dez ficaram feridas. Dezenas de palestinianos, incluindo mulheres e crianças, manifestavam-se respondendo ao apelo da Jihad islâmica e da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP).
Os confrontos já se estenderam à Cisjordânia, onde militantes das Brigadas dos mártires de Al-Aqsa, ligadas à Fatah, atacaram uma sociedade de produção de audiovisual ligada ao Hamas, tendo-se registado uma troca de tiros.
Entretanto, as forças da Autoridade Nacional Palestiniana iniciaram uma campanha de detenção de cerca de 1.500 homens do Hamas. Entre os procurados estão presidentes de câmara do Hamas, universitários e activistas de organizações beneficentes, além de líderes religiosos. A decisão do presidente palestiniano é uma resposta à ofensiva lançada pelo grupo islâmico Hamas na Faixa de Gaza, que nos últimos dias tomou a maior parte dos complexos de segurança da ANP. Todos os membros do Hamas que não estejam presos em Israel poderão ser detidos e a ordem só será suspensa se o grupo islâmico aceitar uma trégua nas próximas horas.
Esta trégua está dependente de negociações iniciadas ontem para um novo acordo entre o Hamas e a Fatah. O Hamas terá apresentado uma lista com nove condições, incluindo a indicação de um ministro do Interior responsável por todas as forças de segurança da Palestina e o controle dividido com a Fatah das fronteiras de Gaza.
Analistas dizem que se o conflito não for mediado, a Palestina pode ficar dividida: a Cisjordânia controlada pelo Fatah e a Faixa de Gaza sob o comando do Hamas.
A ONG Human Rights Watch (HRW) denunciou entretanto que militantes da Fatah e do Hamas cometeram crimes de guerra, entre os quais execução sumária de detidos, nos confrontos na faixa de Gaza. "Nos combates entre palestinianos nos últimos três dias as forças militares da Fatah e do Hamas praticaram execuções sumárias de detidos, assassinaram pessoas não implicadas nas hostilidades e enfrentaram-se com armas junto a hospitais" afirma a HRW, que denuncia ainda que as duas facções põem em sério perigo os jornalistas que trabalham na faixa de Gaza.