“É uma taxa de juro inaceitável, é um insulto à economia portuguesa. Assinalo que a Grécia e Irlanda já renegociaram as taxas de juro para níveis muito inferiores e é inaceitável que a União Europeia possa fazer destas dificuldades da economia portuguesa uma forma de extrair uma mais-valia numa operação financeira”, afirmou Louçã.
O coordenador da Comissão Política do Bloco reagia, aos jornalistas, ao anúncio do comissário europeu da Economia, Olli Rehn, de que a taxa de juro do empréstimo a Portugal deverá ser de cerca de 5,5 por cento com o país a regressar ao mercado financeiro antes do fim da assistência.
“A taxa de juro será claramente abaixo dos 6,0 por cento e deverá ficar nos 5,5 por cento”, disse Olli Rehn, em Estrasburgo.
Segundo Louçã, “esta é uma boa razão para perceber que a negociação foi mal feita e que é preciso defender uma resposta à dívida que não comprometa o futuro e que não prejudique a economia portuguesa”.
“Se a União Europeia tivesse uma emissão conjunta de títulos de divida pública estava a suportar as dívidas dos países mais ameaçados a pouco mais de dois por cento e haveria o apoio de uma política europeia de que Portugal não deve desistir”, argumentou.
“Não é possível pagar esta taxa de juro. Quem quer que pretenda iludir o país dizendo que isto é normal está a enganar os portugueses”, afirmou.
A Comissão Europeia deu esta terça-feira em Estrasburgo, o seu aval ao programa de assistência financeira negociado entre a troika e o Governo português, faltando agora, no início da próxima semana, a aprovação final dos ministros das Finanças europeus.
A decisão final sobre o resgate a Portugal será tomada no início da próxima semana, pelos ministros das Finanças da Zona Euro a 16 de Maio e da União Europeia no dia seguinte.