Opinião

Francisco Louçã

É crónico e não é de hoje: em Portugal fazem-se muitas piadas, tanto com questões sérias e dramáticas como, por maioria de razão, com o que tem piada. E é sempre assim, os governos não acham graça. No entanto, é difícil encontrar um governo que, como o actual, deteste tanto as piadas que provoca.

Francisco Louçã

A última reunião do Conselho de Ministros tomou uma decisão histórica: abrir o processo de privatização da empresa Estradas de Portugal. A razão é simples: pacto de estabilidade e crescimento. Não é uma ideia nova, nem é boa - pelo contrário, é um escândalo que demonstra por onde caminha a política de privatizações.

Francisco Louçã

A história conta-se em poucas palavras. Uma criança de quatro anos, filha de pais russos, mas nascida em Portugal, foi acolhida por uma família portuguesa. Aprendeu a falar português como língua materna e só conhece os seus pais de acolhimento. Mas o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras quer expulsá-la.

Francisco Louçã

23.30 (dia 29). Piquete de greve no Metro, Marquês de Pombal. Umas boas dezenas de trabalhadores, homens e mulheres, estão no piquete. A greve começa à meia-noite, e a empresa tenta forçar o funcionamento das linhas de metro entre a meia-noite e a uma, para depois retomarem às seis da manhã. O primeiro embate faz-se portanto no primeiro minuto da greve. Com o piquete estão alguns trabalhadores que tinham ido para trabalhar, porque temiam a represália e não são sindicalizados - mas aceitam fazer greve e ficam com os seus colegas. Há vários sindicatos representados, com algumas diferenças de opinião, mas que chegaram a um acordo: não se cumprem os serviços mínimos.

Francisco Louçã

Um dirigente partidário surpreendeu, há poucos dias, afirmando que uma greve geral não precisa de ser geral. O que certamente não pode ser é um vale tudo: a greve, para ter peso social, deve conseguir demonstrar a voz do descontentamento social. Vale a pena por isso discutir o que é que uma greve geral precisa de ser.

André Beja

Decidiram os franceses pela opção da direita. Autoritária, petulante e perigosa. Talvez não tenha sido por acaso que durante a campanha para a primeira volta das presidenciais circulasse pela net um banner com um rosto encarneirado de Sarkozy e uma legenda que dizia votez le pen. O epíteto de Sarko(na)zy com que o presidente eleito é brindado em alguns círculos só reforça esta ideia. Sarkozy incorporou no seu discurso as intransigências mais impróprias da direita mais radical, nomeadamente no que concerne ao princípio da identidade nacional e ao seu relacionamento com as comunidades imigrantes.

Natasha Nunes

Decidiram os franceses pela opção da direita. Autoritária, petulante e perigosa. Talvez não tenha sido por acaso que durante a campanha para a primeira volta das presidenciais circulasse pela net um banner com um rosto encarneirado de Sarkozy e uma legenda que dizia votez le pen. O epíteto de Sarko(na)zy com que o presidente eleito é brindado em alguns círculos só reforça esta ideia. Sarkozy incorporou no seu discurso as intransigências mais impróprias da direita mais radical, nomeadamente no que concerne ao princípio da identidade nacional e ao seu relacionamento com as comunidades imigrantes.

Francisco Louçã

A decisão do Conselho Nacional da CGTP, que convocou a greve geral para 30 de Maio, apanhou muitos sindicalistas de surpresa. Sabia-se que essa discussão tinha sido iniciada na central, mas tinha sido adiada na última reunião, porque muitos dos dirigentes sindicais então achavam que não havia condições para uma confrontação com a dimensão de uma greve geral. Percebeu-se entretanto que havia uma dimensão de debate de estratégia sindical muito influenciada por outras escolhas políticas.

Luís Leiria

Os números das estatísticas estão aí para o provar: em Portugal, juventude rima com precariedade.

Francisco Louçã

Abro os jornais de hoje da Madeira e leio. O Diário de Notícias (do Funchal) garante que cada agricultor vai receber um prémio, que pode chegar a mil euros num ano, pelo seu trabalho no contributo para a paisagem. Escreve ainda o DN que "O Pavilhão da Escola Secundária Francisco Franco é novo e já mete água". Em contrapartida, uma boa notícia: há um "almoço na Quinta Vigia (sede do Governo Regional) só para deputados do PSD".

André Beja

Nas últimas semanas temos assistido ao redobrar de esforços de alguns defensores do ‘Não' no sentido de aplainar a derrota e subverter o sentido do voto de 11 de Fevereiro. Primeiro foi o CDS a agitar a bandeira do carácter não vinculativo do referendo.  Seguiu-se a exigência da cúpula do PSD, acompanhada por algumas eleitas PS, de introduzir na nova lei o pressuposto do aconselhamento obrigatório, numa tentativa de transformar o seu ‘Não' em lavagem cerebral mascarada de ‘Sim'.

Sandro Mendonça

No dia 2 de Fevereiro último foi divulgada a versão não-confidencial do relatório "Prospects for Iraq's Stability: A Challenging Road Ahead". Este documento é o produto mais substantivo dos serviços secretos norte-americanos (entregue directamente ao Presidente) e integra o trabalho de 16 agências de espionagem sobre como a situação no terreno vai afectar as questões de defesa nacional nos próximos 18 meses. A avaliação diz que a trajectória do país é de clara deterioração. A violência que se vive no Iraque pode ser descrita como "guerra civil" dadas as características de elevado número de baixas civis, divisões étnicas, facções religiosas, e ainda a existência de 2,4 milhões de refugiados (dados ONU, 4 de Novembro de 2006). Porém, diz-se ainda que a situação é mais complexa do que apenas guerra civil dada a ocorrência de ataques às tropas ocupantes, a grave incidência de criminalidade nas ruas e a interferência de potências vizinhas (alegadamente, movimentos ligados ao Irão e forças da al-Qa'ida).