Centenas de pessoas concentraram-se hoje em Trafalgar Square, no centro de Londres, para desafiar a proibição de manifestação ordenada pela Polícia Metropolitana da cidade. A Polícia Metropolitana de Londres proibiu todas as manifestações do movimento ambientalista Extinction Rebellion, isto após uma semana de protestos que resultaram na detenção de mais de 1,4 mil ativistas. Logo após a proibição, no dia 14 de outubro, a polícia desocupou o acampamento do grupo que se encontrava em Trafalgar Square, no centro da capital inglesa. O acampamento, a par das manifestações do grupo internacional, visa chamar a atenção para o problema do aquecimento global.
Em comunicado, a Polícia Metropolitana de Londres afirma que "os manifestantes foram notificados e receberam a oportunidade de se retirar. Qualquer pessoa que não cumpra essa condição é passível de prisão e processo".
Huge presence in Trafalgar Square in defiance of government clampdown on peaceful protest.
The rebellion is growing as the climate emergency is accelerating.
The government must launch a comprehensive response not cower behind the police.#ExtinctionRebellion
Ben Gillespie pic.twitter.com/TDxbRX0NJa
— Extinction Rebellion London (@XRLondon) October 16, 2019
Porém, o coletivo respondeu de imediato, fazendo saber que pretende dar continuidade a esta segunda semana de protestos. Informam também que irão avançar com uma ação legal contra a proibição de manifestação, ato que consideram ser um ataque aos direitos civis.
Trata-se de “uma tentativa desproporcionada e sem precedente para impedir a manifestação pacífica”, afirmou o coletivo.
Peaceful protest is a right and I will be writing to the Home Secretary about the @XRLondon protest ban pic.twitter.com/Kk0xfFvjCa
— Diane Abbott (@HackneyAbbott) October 16, 2019
Esta proibição reuniu também a crítica por parte de vários ativistas políticos, defensores dos direitos civis e ambientalistas que afirmam que esta proibição em toda a capital inglesa é “preocupante e ilegal”.
O próprio mayor de Londres, Sadiq Khan, divulgou uma declaração onde aparenta distanciar-se da decisão da Polícia Metropolitana da cidade.
Aquando da emissão da ordem, a maioria já tinha abandonado Trafalgar Square para acampar no jardim Vauxhall Pleasure. A praça no centro de Londres foi abandonada, mas "a rebelião internacional continua", afirmou o movimento Extinction Rebellion em comunicado. “A emergência climática e ecológica não irá desaparecer e nós continuamos decididos a enfrentá-la”.
Entretanto já teve lugar uma ação à frente do Departamento dos Transportes da cidade. Gail Bradbrook, uma das fundadoras do movimento, escalou o edifício para colocar uma faixa contra a construção de uma ferrovia de alta velocidade. Os ativistas exigem o fim do financiamento de “projetos destrutivos” que aumentem as emissões que dão origem ao aquecimento global.
Até à proibição de dia 14 de outubro, Trafalgar Square era o único local onde era possível organizar manifestações após uma semana de protestos por toda a cidade. No mesmo dia, houve uma invasão do centro financeiro da capital com os manifestantes a exigir que as instituições financeiras e as empresas deixassem “de financiar a crise climática”. Também o Parlamento britânico e o aeroporto de London City foram bloqueados desde o início dos protestos.