Vítimas de Pedrógão querem ver fundos aplicados na prevenção de incêndios

17 de June 2020 - 13:18

A Associação de Vítimas de Pedrógão Grande defende que os 800 mil euros do Fundo Revita - que ainda não chegaram - sejam utilizados na proteção das aldeias e habitações da região contra futuros incêndios.

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Fotografia de Miguel Lopes/Lusa.

Passam três anos do mais mortífero incêndio florestal registado em Portugal. A 17 de junho de 2017, um incêndio em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, causou a morte a 66 pessoas. 

Dina Duarte, presidente da Associação de Vítimas de Pedrógão Grande, defende que o dinheiro dos Fundos Revita seja aplicado “em coisas tão simples como mochilas de emergência, kits para as aldeias poderem combater os incêndios”, disse em entrevista à TSF. O dinheiro, explica, continua na posse do fundo Revita e ainda não foi utilizado.

A prevenção é a principal preocupação da associação, que considera que é necessário dotar as localidades de meios para prevenir e combater futuros incêndios. "Esperemos que isto não aconteça, mas se acontecer temos de estar preparados para isto", apontou.

"Há sempre uma esperança no futuro, esperamos que nada aconteça", acrescentou, sublinhando que "como ainda não há interesse [por parte do negócio do fogo], as coisas acabam por estar mais salvaguardadas”.

Dina Duarte defende também uma reflorestação que tenha em conta a biodiversidade e não se foque exclusivamente no eucalipto. Segundo esta, a "reflorestação vai sendo feita, mas não é com a biodiversidade que associação defende", já que o eucalipto "continua a ser a árvore com mais visibilidade”. 

Além de tirar a vida a 66 pessoas, os incêndios de 17 de junho de 2017 feriram centenas de pessoas e destruíram meio milhar de casas e 50 empresas.

Das 66 vítimas mortais, 47 seguiram em viaturas que foram cercadas pelas chamas na Estrada Nacional 236-1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, no interior norte do distrito de Leiria, ou em acessos àquela via.

Segundo estimativas feitas à altura e que a agência Lusa recorda, as contas apontavam para prejuízos na floresta superiores a 83 milhões de euros, enquanto os danos em habitações ascendiam a mais de 27,6 milhões de euros, na indústria e turismo a perto de 31,2 milhões de euros, na agricultura a 20 milhões de euros e noutras atividades económicas a mais de 27,5 milhões de euros.

As mortes provocadas pelo incêndio de Pedrógão levaram o Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra a abrir um inquérito que investigou as responsabilidades no fogo.

Também o processo de reconstrução das casas ardidas levou o Ministério Público de Coimbra a abrir um inquérito. A investigação resultou numa acusação contra 28 arguidos pela alegada prática de 20 crimes de burla, 20 crimes de prevaricação de titular de cargo político, 20 crimes de falsificação de documentos, um crime de falsidade informática e um crime de falsas declarações.