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Violência doméstica: Pandemia pode ter aumentado novos casos

Um inquérito online da Escola Nacional de Saúde Pública revelou também que 15% das pessoas inquiridas comunicaram a existência de violência doméstica entre abril e outubro de 2020, mas 72% acabaram por não denunciar.
1/3 dos casos de violência doméstica durante a pandemia foram cometidos pela primeira vez, diz estudo
Foto de Paulete Matos

O estudo VD@COVID19, realizado através de um inquérito online pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) e citado pelo jornal Público, aponta que 34% dos inquiridos correspondem a vítimas que sofreram pela primeira vez violência doméstica durante a pandemia. O universo de inquiridos foi de 1062 pessoas e também revelou que 15% reportaram episódios de violência doméstica, mas 72% não o fizeram.

O estudo foi realizado entre abril e outubro de 2020 e não é representativo da população, mas teve como objetivo investigar a violência doméstica psicológica, física e sexual durante a pandemia. A coordenadora da pesquisa e professora da ENSP, Sónia Dias, acredita que o fenómeno pode estar mais escondido do que os dados indicam.

“Todos os dados parecem indicar que o contexto da pandemia acaba por agravar os fatores associados à violência doméstica”, sublinhou Sónia Dias.

Para a investigadora, a obrigatoriedade do confinamento em espaços onde podem viver potenciais agressores e vítimas, tal como o stress e a diminuição das condições económicas agravam as situações de violência doméstica.

Estas situações aconteceram, na sua maioria, entre pessoas com o ensino superior e sem dificuldades económicas. 66% já tinha um historial de violência doméstica.

Relativamente aos novos casos que apareceram durante a pandemia, são as pessoas que passaram mais tempo em regime de teletrabalho e também não apresentam insuficiência económica. Foram os que menos procuraram ajuda.

Sónia Dias acredita que este fenómeno vai para além dos números apresentados pelo estudo porque, para além dos 72% que não denunciaram os casos de violência doméstica, 51% não tem perceção de estar a ser vítima. “É algo muito importante que nos leva para a necessidade de trabalhar a nível cultural”, alerta.

Estes dados foram recolhidos sobretudo no género feminino (77,8%), entre os 25 e 54 anos e com ensino superior (82,1%).

O número de queixas reportado pela PSP e pela GNR entre julho e setembro de 2020 foi praticamente igual ao período homólogo de 2019, aumentou apenas 1,12%. Isto leva Sónia Dias a considerar que as vítimas se sentem constrangidas por denunciar e que pensam que não alteraria a situação de violência doméstica.

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