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Trump exige lista de investigadores públicos dedicados a alterações climáticas

Trump exige saber que investigadores especificamente participaram em encontros da ONU sobre alterações climáticas.
Donald Trump zangado
Donald Trump, EPA/STR/Lusa

Donal Trump ainda não nomeou um Ministro para o Departamento de Energia (instituição que define política energética e gere todas as áreas de investigação e Laboratórios Nacionais dos EUA, bem como toda a infraestrutura nuclear) mas, a sua equipa de transição deu os primeiros passos para assumir o cargo solicitando informações que causaram alarme.

Segundo a Reuters, o comunicado enviado na sexta-feira apresenta 74 questões onde a equipa de Trump exige, por exemplo, uma lista discriminada de todos os trabalhadores e consultores que tenham participado em cimeiras da ONU sobre alterações climáticas nos últimos cinco anos; ou uma lista de quem participou em reuniões sobre custo social de carbono, uma ferramenta de análise económica que a EPA aplica para avaliar os custos e benefícios de legislação sobre energia e recursos; ou ainda todas as publicações dos 17 Laboratórios Nacionais dos EUA nos últimos três anos, artigos científicos necessariamente públicos o que revela o propósito político de criar um ambiente de caça às bruxas dentro do Departamento de Energia.

Trump pretende também saber quais são os 20 investigadores com salários mais altos, um critério difícil de entender exceto numa lógica persecutória, e ainda uma lista de websites e blogues mantidos por investigadores durante o seu horário laboral, o que poderá significar uma campanha contra a legitimidade de investigadores do setor público.

Trump aborda também a política de financiamento de investigação científica, pedindo uma lista de todos os projetos de investimento de risco em energia limpa (o Cyclotron Road, por exemplo), indicando a vontade de alterar radicalmente a missão pública do Departamento de Energia.

Se a nomeação de Scott Pruit, um negacionista do aquecimento global, para liderar a Agência de Proteção Ambiental (EPA) provocou alarme, este requerimento elimina qualquer dúvida que restasse sobre as intenções de Donal Trump que, após as eleições presidenciais, garantiu que iria manter uma mente aberta sobre as alterações climáticas e o Acordo de Paris, chegando mesmo a reunir com Al Gore na semana passada, encontro que foi interpretado como sinal de moderação apesar do próprio Trump acreditar que o aquecimento global é uma conspiração chinesa desde 2012.

 

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