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Trabalhadores da Efacec querem nacionalização da empresa

Acusando o Governo de falta de palavra, o sindicato está contra a reprivatização da Efacec meses depois de o Executivo ter aprovado um decreto-lei para nacionalizar 71,73% do capital social do grupo.
Grupo de trabalhadores reunidos perto das instalações da Efacec em Leça do Balio, Matosinhos.
Grupo de trabalhadores reunidos perto das instalações da Efacec em Leça do Balio, Matosinhos. Fotografia de Estela Silva/Lusa.

Um grupo de trabalhadores do Grupo Efacec esteve hoje concentrado junto das instalações da empresa em Leça do Balio, Matosinhos, para reclamar a “nacionalização definitiva da empresa”. Sobre a vontade do Governo de reprivatizar o grupo, os trabalhadores acusam o executivo de “falta de caráter”.

Miguel Moreira, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Industrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (Site-Norte), afirmou à Lusa que os trabalhadores estão surpresos com a decisão do Governo de ter aprovado na quinta-feira o caderno de encargos para a reprivatização dos 71,73% do capital da Efacec que foram alvo de nacionalização.

“Qual o nosso espanto deste Governo tomar uma decisão destas sem nos dizer nada e apanharem-nos de surpresa”, acrescentando que “estes senhores que nos governam podem ter muita coisa, mas palavra é que não têm com certeza”. Em reuniões com o sindicato, o Governo terá sempre dito que o informaria caso existissem planos para reprivatizar a empresa.

“Já nem estou desiludido com a decisão política, estou desiludido com a personalidade e caráter destes senhores, porque fizeram exatamente o contrário do que nos foi dito, ou seja, o Governo pode decidir até vender a Efacec ou dar, mas devia respeitar as pessoas e ter caráter”, criticou.

O Site-Norte também denunciou hoje que um despedimento coletivo de 21 trabalhadores qualificados em que foi incluída "praticamente toda a Comissão Sindical da Efacec Energia".

“Este despedimento foi feito com o único objetivo de afastar elementos mais reivindicativos, que não se deixavam influenciar pela administração e que continuavam a denunciar o que se passava de errado na empresa”, lê-se num comunicado entregue aos trabalhadores durante a manifestação, apelando que se “acabe com a política de perseguição e intimidação aos trabalhadores”.

Também em declarações à agência Lusa, a dirigente do Site-Norte e antiga trabalhadora da Efacec, Ana Marques, afirmou que os trabalhadores da Efacec que “estão no despedimento coletivo estão dispostos a lutar até ao fim”.

“Se não estivessem dispostos a lutar não teriam ido para tribunal, porque se sentem-se injustiçados. Sentem que isto foi vergonhoso e, portanto, vão lutar até ao fim”.

Segundo recordou o SITE Norte, em 2020 a Efacec alegou estar com dificuldades devido ao caso “Luanda Leaks” e em abril colocou em ‘lay off’ cerca de 60% dos trabalhadores, quando ao mesmo tempo eram “feitas horas extras e contratadas empresas externas para substituir quem estava em lay off”.

O Site-Norte defende a nacionalização definitiva e integração no setor empresarial do Estado, apelando ao Governo para que proceda à “integração da empresa no setor empresarial do Estado”, para “que ponha termo ao vergonhoso despedimento coletivo” e que “defenda o futuro da empresa, dos trabalhadores, dos seus postos de trabalho e que acabe com a precariedade existente”.

No início de julho o Governo aprovou um decreto-lei para nacionalizar 71,73% do capital social da Efacec, para agora aprovar o caderno de encargos para a reprivatização desse capital, num processo que se prevê que demore seis meses.

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