O inverno está a chegar e a perspetiva de “cortes selvagens” na Ryanair acompanha-o. Foi isso que Darrel Hughes, diretor de Recursos Humanos da Ryanair, declarou em entrevista à agência Lusa: “estamos a enfrentar tempos muito incertos, e há uma perspetiva bem real de cortes selvagens em Portugal este inverno em todas as nossas bases, em termos de capacidade e em termos de aviões”.
O responsável da empresa confirmou o anúncio feito na segunda-feira do corte em 20% do horário programado para setembro e outubro. A empresa esperava voltar a 70% da sua capacidade de transporte em setembro mas os cálculos não se irão concretizar. Para a época seguinte “quaisquer previsões de agora para o inverno estarão provavelmente erradas. Estamos a manter tudo debaixo de um grande escrutínio, mas teremos muito menos voos do que tivemos no último inverno, isso é certo”.
Haverá cortes drásticos numa empresa que se declara “em modo de sobrevivência e reconstrução”. Fica ainda por apurar “onde é que os cortes cairão, mas certamente esperamos que alguns desses cortes sejam em Portugal”. E os cortes vão afetar o país de outra forma indireta. A Ryanair esclarece que não vai “usar nenhum pessoal da Crewlink no inverno”. Esta empresa de trabalho temporário que está em Portugal há mais de uma década só tem como cliente esta empresa de voos low-cost.
Na mesma entrevista, Darrell Hughes justificou a falta de pagamento de descontos dos trabalhadores à Segurança Social dizendo que houve um erro administrativo “em maio” por causa da mudança do sistema de Segurança Social do irlandês para o português. Agora “está pago”, assegura.
Diogo Dias, dirigente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil tinha revelado que “há meses que simplesmente não estão declarados” descontos dos tripulantes da empresa à Segurança Social. Vários dos afetados tinham avançado com queixas-crime contra a Ryanair.