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Rodoviária do Alentejo: trabalhadores contra prolongamento do lay-off até agosto de 2021

Trabalhadores rodoviários realizaram concentração na passada sexta-feira em Portalegre, onde denunciaram a redução dos salários, a supressão de carreiras e a reduzida oferta de transportes públicos no distrito.
Trabalhadores da Rodoviária do Alentejo concentraram-se em Portalegre para exigiu o fim do lay-off
Trabalhadores da Rodoviária do Alentejo concentraram-se em Portalegre para exigiu o fim do lay-off.

Os trabalhadores da Rodoviária do Alentejo realizaram na passada sexta-feira, 24 de julho, uma tribuna pública em Portalegre, onde criticaram a continuação do lay-off na empresa. A ação foi convocada pela União dos Sindicatos do Norte Alentejano, pela Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) e pelo STRUP - Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal e contou com a presença de Isabel Camarinha, secretária-geral da CGTP.

Em declarações à Lusa, Anabela Carvalheira da Fectrans disse que a Rodoviária do Alentejo já “anunciou o prolongamento do lay-off até agosto de 2021”, o que vai levar a que as populações continuem "completamente isoladas e sem qualquer tipo de transporte publico".

Na ação foi reivindicado o fim do lay-off, a reposição do transporte público e o pagamento da totalidade do salário aos trabalhadores da empresa.

"Para bem dos trabalhadores, mas, sobretudo, para bem das populações, exigimos que termine o lay-off na Rodoviária do Alentejo", empresa do Grupo Barraqueiro, declarou Anabela Carvalheira.

A sindicalista denunciou que a continuação do lay-off provoca graves reduções nos salários dos trabalhadores. "O salário ilíquido destes trabalhadores, tendo em conta o seu horário de trabalho, que deveria ser de oito horas, mas é, muitas vezes, de 10, 12 e 14 horas, não tem isso em conta e, com o lay-off, pagam apenas 66% do salário base, o que significa uma redução de quase 50%", disse.

Anabela Carvalheira sublinhou ainda que o lay-off "é apenas aplicado sobre o salário base", mas "os trabalhadores do setor rodoviário de passageiros têm mais rubricas, como agente único, diuturnidades e, em particular, o tempo suplementar".

"Não é tempo suplementar feito com caráter esporádico, mas sim com sistematicidade, uma vez que as chapas de circulação dos autocarros não têm atribuído um serviço de oito horas, têm atribuído diariamente serviços com 10, 12 e 14 horas", realçou.

Rodoviária do Alentejo suprime carreiras e quer prolongar o lay-off por um ano

O sindicato salienta que a Rodoviária do Alentejo já tinha suprimido e reduzido carreiras e informou o STRUP da intenção de prolongar o lay-off por um ano. A Rede de Expressos também reduziu os expressos diários no distrito de dez para dois.

A União dos Sindicatos do Norte Alentejano (USNA) considera a situação inaceitável, denunciando que o distrito de Portalegre está cada vez mais isolado, que as populações ficaram sem serviços fundamentais, ao longo de anos, e que agora, com a covid-19, muitos dos trabalhadores ficaram sem transporte para os seus locais de trabalho.

A USNA, acompanha a denúncia da Fectrans, de que os operadores privados de transportes rodoviários pretendem prolongar o lay-off, defende a necessidade de uma empresa pública no setor e defende que o governo não pode ser um mero espectador e tem que intervir no setor, para garantir os direitos dos trabalhadores e das populações.

A USNA continua a defender que são os municípios as autoridades de transporte e pediu uma reunião à CIMAA – Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, para “perceber que medidas estão a ser equacionadas para devolver às populações do Norte Alentejano o seu direito à mobilidade”.

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