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Odemira: Bloco defende gestão pública da água e proibição de novas estufas

“Que em setembro se encontre um compromisso claro para com Odemira, nem mais um metro de estufa e a água do perímetro de rega tem gestão pública”, propôs Catarina Martins, frisando que “as estufas não podem mandar na vida das pessoas”, que “tem de haver um futuro para lá das estufas”.
Catarina Martins com os cabeças de lista de Câmara e Assembleia Municipal de Odemira - Foto Andreia Quartau
Catarina Martins com os cabeças de lista de Câmara e Assembleia Municipal de Odemira - Foto Andreia Quartau

“Em setembro, mal os trabalhos parlamentares retomem, o Bloco vai apresentar no parlamento uma proposta muito simples, com apenas dois pontos”, anunciou a coordenadora bloquista, sublinhando que “o primeiro ponto é nem mais um metro de estufa, não podemos continuar, parar já” e que o segundo ponto é: “que a água do perímetro de rega do Mira tenha gestão pública”.

“Não são os donos das estufas, que mandam na água que é de todos. Não abandonaremos nada que propusemos, propomos estas duas medidas imediatas”, enfatizou Catarina Martins, apontando que o objetivo é que haja um passo em frente na defesa do futuro.

A coordenadora bloquista anunciou esta iniciativa na apresentação da candidatura autárquica do Bloco de Esquerda que tem Pedro Gonçalves como candidato à Câmara de Odemira e Ventura Ramalho como candidato à Assembleia Municipal.

Em Odemira estão colocadas as grandes questões definidoras do nosso futuro

Na sua intervenção, Catarina Martins começou por realçar que a candidatura do Bloco em Odemira “é muito importante, por uma razão que é maior que o Bloco de Esquerda e é fundamental”.

“Odemira é o concelho onde estão colocadas as grandes questões definidoras do nosso futuro”, apontou Catarina Martins, frisando: “Aquilo que se está a passar em Odemira e as decisões que forem tomadas diz tudo sobre o modelo que queremos para o país, diz tudo sobre a responsabilidade da resposta climática e sobre o modelo económico que temos”.

A coordenadora bloquista explicou que a pressão da agricultura intensiva e superintensiva das estufas coloca “duas questões fundamentais para saber que país queremos ser”: em primeiro lugar, “se queremos ser o país em que muitos enriquecem, explorando o trabalho a três euros à hora”, se defendemos este modelo económico “do enriquecimento de alguns contra os direitos humanos de quem trabalha”. Em segundo lugar, se é “o modelo em que alguns, que enriquecem agora muito depressa à conta das condições ambientais da vida de toda a gente aqui e da própria existência do nosso próprio futuro, neste concelho, no nosso país, no nosso planeta”, salientou, reafirmando:”em Odemira, estão à vista as grandes questões, as grandes contradições deste tempo”.

A coordenadora bloquista lembrou também que quando foi discutido o plano de ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, “o Bloco de Esquerda foi essa voz incómoda”. “Dizíamos na altura que o que estava a ser preparado era uma destruição da produção extensiva, uma destruição das comunidades que resistiam, para se ir implementar o modelo de produção intensiva que poria em causa o equilíbrio ambiental de toda esta região”, recordou a dirigente bloquista.

Bloco defende em Odemira e em todo o país

Lembrando as propostas apresentdas ao longo dos anos, a dirigente bloquista sublinhou que “o que o Bloco de Esquerda defende em Odemira, defende na Assembleia da República, defende em todo o país, defende onde quer que esteja”.

E recordou que o Bloco propôs um programa para uma transição ecológica no perímetro de rega do Mira. “Um programa que nos permitisse fazer uma transição do próprio modo de produção por sabermos que o que está a acontecer aqui é insustentável”, porém este programa foi chumbado, com os votos da direita e a abstenção do PS e do PCP.

“Insistimos e propusemos recentemente um programa para que o perímetro de rega do Mira e a água da barragem tivesse uma gestão pública e não fosse gerida pela associação que basicamente representa os interesses das estufas contra a população de Odemira”, contou, sublinhando que a proposta foi chumbada com os votos da direita e do PS. Tendo o PS proposto que se fosse estudar o problema da água...

“Sabemos que os pequenos produtores não têm água e como o rio Mira se deteriora com as opções dos donos das estufas. Não temos tempo”, frisou Catarina Martins e terminou anunciando o desafio:

“Que em setembro se encontre um compromisso claro para com Odemira, nem mais um metro de estufa e a água do perímetro de rega tem gestão pública”.

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