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Observatório Nacional do Bullying regista mais de 400 denúncias em 2020

Criado a 30 de janeiro de 2020, o ONB recebeu 407 denúncias, a maioria por violência psicológica dentro da escola. As raparigas são o principal alvo de bullying. E a maioria (67%) das denúncias são apresentadas por encarregados de educação das vítimas ou ex-vítimas.
Foto de Senado Federal, Wikimedia.

O Observatório Nacional do Bullying (ONB), criado no âmbito da Associação Plano i, e fundado por um grupo de cinco mulheres, tem como objetivo "mapear o fenómeno do 'bullying' em Portugal com base nas denúncias informais efetuadas por vítimas, ex-vítimas, testemunhas e pessoas que tiveram conhecimento da vitimização".

Desde a sua fundação, há um ano, o ONB recebeu 407 denúncias. De acordo com os números citados pela agência Lusa, a maioria das denúncias, o equivalente a 67%, foi apresentada por encarregados de educação das vítimas ou ex-vítimas. As raparigas, num total de 249, são o principal alvo de bullying. Já os rapazes são os principais agressores, em 211 dos casos, e têm idades entre os 12 e os 13 anos. Regra geral (94,6%), vítimas e agressores frequentam a mesma escola, onde o 'bullying' é exercido, sobretudo, presencialmente (74,20%). O recreio (60,40%) ou a sala de aula (50,40%) são os locais onde se verificam mais casos. O tipo de violência mais apontado é a psicológica (92,10%), seguindo-se a social (66,60%), a física (50,40%) e a sexual (9,30%).

Os dados recolhidos pelo ONB revelam que quase metade (45%) das vítimas tiveram de recorrer a apoio psicológico. Um terço sentiu dificuldades de concentração e tristeza. O aspeto físico (51,80%) e os resultados académicos (34,90%) são, na perspetiva das vítimas, as razões que motivam o bullying. Quase metade das denúncias concentraram-se nos distritos de Lisboa e Porto (45,20%).

Aquando o lançamento do ONB, Sofia Neves, sua coordenadora científica e presidente da Associação Plano i, alertava para a necessidade de investir “na capacitação de toda a comunidade escolar, procurando instituir uma cultura de tolerância zero ao bullying”.

“Os impactos do bullying podem ser tão devastadores e incapacitantes, a nível psicológico, físico, sexual e social, que constrangem a tomada de decisão das vítimas de partilharem as suas vivências. É preciso não esquecer que o bullying pode resultar na morte das vítimas, por homicídio ou suicídio”, explicava Sofia Neves em entrevista ao EDUCARE.PT.

Os dados recolhidos pelo Observatório são utilizados para o mapeamento e caracterização do fenómeno e para o reforço da prevenção e do combate ao bullying.

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