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O que não pode continuar é a desigualdade, porque é cara demais ao país

Mariana Mortágua acusou a campanha da direita de ser “um museu de velhas novidades”, criticou o PS, que “recusou tudo” e “ambiciona governar sem os ‘empecilhos de esquerda’” e defendeu que “Portugal precisa de um compromisso” para cumprir a segurança no trabalho, na saúde, na educação, na pensão.
Mariana Mortágua. Foto de Pedro Gomes de Almeida.
Mariana Mortágua. Foto de Pedro Gomes de Almeida.

Mariana Mortágua, na sua intervenção no comício realizado em Lisboa neste domingo, 23 de janeiro, começou por apontar que leu os vários programas dos partidos, assistiu aos debate e às principais iniciativas de campanha e falou sobre o que viu.

“Um museu de velhas novidades”

“À direita, vejo um museu de velhas novidades”, criticou Mariana Mortágua, e pediu: “digam-me por favor, o que é um futuro de privatizações, de selvajaria laboral e de roda livre financeira, se não uma repetição descarada do passado?”

“Que liberdade de escolha há na doença se não houver cuidados de saúde garantidos, como na Irlanda, esse país que tanto entusiasma os liberais? Ou nos Estados Unidos, o paraíso das direitas, o país mais rico do mundo e onde a ganância na saúde leva milhões de pessoas à falência e provoca uma esperança de vida menor do que a nossa?”, prosseguiu a deputada bloquista, para questionar:

“Que liberdade é essa de uma vida vergada pelo medo do despedimento e da pobreza?”

Mariana Mortágua criticou a direita por defender o “poder ilimitado de uns poucos”, para lucrar com a saúde, a educação, o salário, “o que nos é mais sagrado, que funda a democracia e nos faz essencialmente livres”.

A deputada salientou também que um governo de direita seria “uma festa revanchista que se atiraria com gula aos hospitais, às escolas, aos serviços públicos, e a quem trabalha”. E concluiu: “A direita não passará”.

O lema do PS é "esqueçam tudo o que dissemos”

Mariana Mortágua passou, de seguida, à crítica à campanha de António Costa, “dedicado a desdizer tudo o que declarou no passado”, exemplificando com as leis laborais que criticava mas agora “são um dogma e justificam uma crise política” e também com a maioria absoluta, “que antes maldizia” e foi agora o slogan do PS.

“O lema do PS é: esqueçam tudo o que dissemos e confiem-se ao nosso governo de olhos fechados”, destacou Mariana Mortágua e apontou que “o PS manteve todas as recusas, até ao extremo de provocar estas eleições, mostrando à exaustão que a sua maior preocupação não é a falta de profissionais no SNS”, nem a emigração das enfermeiras, a vida difícil das cuidadoras informais, ou os precários que durante a pandemia ficaram sem contrato.

“O PS recusou tudo, queimou todas as pontes, ameaçou toda a gente, porque, mais do que qualquer outra coisa, ambiciona governar sem os ‘empecilhos de esquerda’ (como já nos chamaram há dois anos)”, sintetizou a deputada bloquista.

“O PS pode agora dar o dito por não dito ou fazer uma birra se os eleitores não lhe fizerem a vontade no próximo domingo”, disse Mariana Mortágua e apelou “mas em democracia não pode haver birras, quem manda é o povo que vota”. E, reforçou o apelo: “Votem sem falta, votem todas e todos, votem para decidir o vosso futuro”.

“Portugal precisa de um compromisso para cumprir a segurança do trabalho”

Mariana Mortágua defendeu então que “Portugal precisa de um compromisso” para cumprir a segurança no trabalho, na saúde, na educação, na pensão. E considerou que “só assim teremos uma economia justa e sustentável”, sublinhando que o Bloco cumpriu a sua palavra e nunca falhou face aos direitos de quem trabalha, citando, nomeadamente, as cuidadoras informais, os seguranças privados, os pedreiros e as profissões de desgaste rápido, as pessoas que trabalham por turnos, as trabalhadoras das cantinas escolares e as pessoas precárias.

“Estamos ao lado dos imigrantes, na Cova da Moura ou em Odemira ou onde for preciso, lutámos por uma lei da nacionalidade que respeite quem vive em Portugal, é com convosco que fazemos campanha”, prosseguiu a deputada do Bloco, salientando que o Bloco enfrentou “a seguradora Fidelidade contra os despejos”, esteve “com os habitantes do bairro da Jamaica pelo seu direito a uma casa digna”, aliou-se “aos movimentos da terra de Miranda contra o roubo da EDP no negócio das barragens”.

“Estamos lado a lado com quem faz o país todos os dias. Lado a lado com quem cria tudo e vê sempre o fruto do seu trabalho e dos seus recursos a ser levado por uma economia injusta.

Fazemos das lutas propostas porque honramos os compromissos com o nosso povo”, frisou Mariana Mortágua.

“O que é caro demais ao país é a desigualdade”

Na parte final da sua intervenção, Mariana Mortágua denunciou que na atual campanha “o país foi inundado por uma lenga-lenga da direita que repete que o salário mínimo nacional é caro, que a educação fica cara, que a saúde fica cara, que as pensões não são sustentáveis, que os transportes são para quem pode pagar, que a cultura tem que se vender a si própria e que a economia não aguenta contratos de trabalho dignos”.

“Uma longa lenga-lenga para que nunca perguntemos quanto custa e a quem dá a ganhar tanto privilégio, que é um preço errado que uma democracia não deve aceitar pagar”, criticou, acrescentandpo que “o PS repete também que não se pode, que na saúde tem de ficar como está, que nas regras do trabalho não se mexe”.

“Respondo-lhes a todos: o que não pode continuar, porque é caro demais ao país, é a desigualdade”, afirmou Mariana Mortágua, denunciando os privilégios.

Lembrou que o privilégio “custa mil milhões de euros de benefícios fiscais indevidamente apropriados na Zona Franca da Madeira e que o governo prometeu a cobrar, mas não recuperou num cêntimo”, “custa três mil milhões de créditos fiscais sentados nas contas dos bancos”, “custa 800 milhões para offshores e esquemas de planeamento fiscal agressivo” e “custa 840 milhões em borlas a residentes não habituais e outros tantos em descontos a empresas que utilizam fundos financeiros para falsos investimentos em tecnologia”.

A deputada apontou também que “mais do que tudo, o privilégio tem um preço em indecência”. E, lembrou o escandaloso caso do Novo Banco, afirmando que “o Novo Banco foi um saque ao país”.

A propósito, recordou o caso da votação do Bloco contra o orçamento para 2021.

“O primeiro-ministro lembra sempre que o Bloco recusou o Orçamento para 2021. Ainda bem que lembra, senhor primeiro-ministro, porque foi nesse orçamento que ameaçou criar uma crise política por causa do que chamou uma ‘bomba atómica’. E a bomba não era outra senão a auditoria exigida pelo parlamento antes de se pagar a conta, essa conta de que agora nos dizem candidamente ‘foi um saque!’. Um saque é o preço da indecência”, frisou .

E, Mariana Mortágua salientou ainda: “Não deixem que vos digam que não há dinheiro para o essencial. Não deixem que vos digam que não é necessário nem possível combater a corrupção e o abuso fiscal para investir na Saúde, na Cultura, nos transportes, nos salários. Não deixem que vos digam que não é necessário nem possível combater as alterações climáticas. Não deixem que vos digam que não é possível lutar pelo nosso país. Porque é possível e é necessário”.

E, a concluir, Mariana Mortágua afirmou que “a força do Bloco de Esquerda pode sim abrir um novo ciclo, em que voltamos a olhar para o presente e para o futuro com a força e o entusiasmo de quem discute avanços concretos e não se limita a ficar à espera com o pouco que sobrevive à ganância do grande capital”.

“Um novo ciclo para responder à emergência climática, para reforçar o SNS e criar um Sistema Nacional de Cuidados, para respeitar a Cultura e para assegurar o salário de quem cá vive”, frisou.

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