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No Name Boys: 37 membros da claque acusados de crimes violentos

O Ministério Público acusou os membros da claque não autorizada do Benfica de praticar, entre 2018 e 2020, 261 crimes que combinavam através de mensagens encriptadas no Telegram.
Membros da claque No Name Boys em 2007. Foto de José Goulão/wikimedia commons.
Membros da claque No Name Boys em 2007. Foto de José Goulão/wikimedia commons.

Segundo a TVI, 37 membros dos No Name Boys, uma claque não autorizada do Benfica, são acusados num despacho do DIAP de Lisboa de onze episódios de violência, somando-se, entre 2018 e 2020, 261 crimes entre os quais homicídio qualificado na forma tentada, atentado à segurança de transporte rodoviário, ofensas à integridade física, furto e dano.

Os casos mais famosos são contra elementos do próprio clube: o apedrejamento do autocarro da sua equipa de futebol, em julho passado, causando prejuízos de 15 mil euros e dois jogados feridos, e os grafitis ameaçadores na casa de Bruno Lage, em junho, quando este era treinador do clube, e de dois jogadores, Rafa Silva e Pizzi. Mas entre as cerca de duas dezenas de vítimas há também adeptos de outros clubes e agentes da autoridade. Em maio deste ano foram agredidos três adeptos do Sporting junto ao estádio e um outro foi esfaqueado e agredido com bastões e martelos em São João do Estoril, onde residia. Em junho do ano passado atacaram Fernando Cardinal, jogador de futsal do Sporting e adepto do Porto, houve insultos e ameaças de morte, mas Cardinal e os outros jogadores que estavam com ele conseguiram escapar para dentro do pavilhão desportivo do Sporting.

O grupo tinha um núcleo duro de sete indivíduos que foi desmantelado no final de junho pela polícia. Os seus telemóveis foram apreendidos e num deles foram encontradas mensagens em que eram combinados pormenores dos ataques. As mensagens, enviadas através da aplicação Telegram, estavam encriptadas e apenas foram descobertas porque o dono deste telemóvel se esqueceu de as apagar. Cinco destes acusados ficaram a aguardar julgamento em prisão domiciliária, um está em prisão preventiva.

Casuals, uma subcultura no mundo violento das claques

O Ministério Público liga estes adeptos à subcultura dos “casuals”. No despacho pode ler-se: “este grupo (casuals) caracteriza-se pela violência física que exerce sobre adeptos de claques de clubes rivais. As façanhas conseguidas são simbolizadas com a subtração de adereços de claques rivais, tais como camisolas e bonés que levam consigo como troféus”.

Este fenómeno nasceu nas claques inglesas dos anos 1980 e terá chegado com mais força a Portugal no início dos anos 2010. Distinguem-se dos outros grupos de hoolingans por serem movimentos informais, geralmente sem ligações às claques oficiais, atuando assim de forma bem mais difícil de detetar pelas polícias, não estão muitas vezes identificados com as cores do clube, usam roupas de marca, viajam separadamente em automóveis próprios, organizam-se secretamente nas redes sociais e por mensagens privadas.

Há casuals dos vários clubes portugueses e a sua ação violenta está identificada pela polícia. Assim as suas ligações à extrema-direita. Muitos utilizam o discurso nacionalista, racista e homofóbico que é característico em grupos de hooligans.

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