Com quinze anos, Maria Custódia Chibante já tinha consciência que pertencia à classe trabalhadora e da exploração a que era sujeita: “Costumava dizer e ainda hoje digo: ainda ninguém foi capaz de me explicar porque é que um rico nasce rico e morre rico, e nunca fez nada na vida, e porque é que um trabalhador trabalhou a vida inteira, passou fome, e ainda tem que pedir aos ricos”.
A 27 de maio de 1962, foi presa pela PIDE. Militante do Partido Comunista, foi uma das primeiras mulheres a ser torturada como um homem. Nunca vergou perante as torturas a que foi sujeita, mas compreendia quem falou: “As que falaram não sofreram menos, penso até que sofreram mais nas mãos deles e que depois ficaram com uma dor cá dentro para o resto da vida”.
Tinha medo, mas ainda maior era a sua revolta e consciência da justeza da luta em que se empenhava. Lutava também pela sua filha, Augusta Barroso, que tinha nove anos quando a mãe foi presa. Durante todo o tempo de prisão, Maria Custódia Chibante nunca teve direito a qualquer visita.
O esquerda.net e o Bloco de Esquerda endereçam as mais sentidas condolências à sua família e amigos.
Leia aqui o testemunho de Maria Custódia Chibante, publicado no âmbito do Projeto “Mulheres de Abril”: Mulheres de Abril: Testemunho de Maria Custódia Chibante