You are here

Morreu a resistente antifascista Maria Custódia Chibante, mulher do Couço

Maria Custódia Chibante, natural do Couço, mulher antifascista, exemplo de coragem e combatividade, foi presa no dia 27 de abril de 1962, assim como outros homens e mulheres da sua terra. Morreu esta quinta-feira aos 87 anos.
Maria Custódia Chibante, 25 de Abril de 2017.
Maria Custódia Chibante, 25 de Abril de 2017.

Com quinze anos, Maria Custódia Chibante já tinha consciência que pertencia à classe trabalhadora e da exploração a que era sujeita: “Costumava dizer e ainda hoje digo: ainda ninguém foi capaz de me explicar porque é que um rico nasce rico e morre rico, e nunca fez nada na vida, e porque é que um trabalhador trabalhou a vida inteira, passou fome, e ainda tem que pedir aos ricos”.

A 27 de maio de 1962, foi presa pela PIDE.  Militante do Partido Comunista, foi uma das primeiras mulheres a ser torturada como um homem. Nunca vergou perante as torturas a que foi sujeita, mas compreendia quem falou: “As que falaram não sofreram menos, penso até que sofreram mais nas mãos deles e que depois ficaram com uma dor cá dentro para o resto da vida”.

Tinha medo, mas ainda maior era a sua revolta e consciência da justeza da luta em que se empenhava. Lutava também pela sua filha, Augusta Barroso, que tinha nove anos quando a mãe foi presa. Durante todo o tempo de prisão, Maria Custódia Chibante nunca teve direito a qualquer visita.

O esquerda.net e o Bloco de Esquerda endereçam as mais sentidas condolências à sua família e amigos.

Leia aqui o testemunho de Maria Custódia Chibante, publicado no âmbito do Projeto “Mulheres de Abril”: Mulheres de Abril: Testemunho de Maria Custódia Chibante

Termos relacionados Mulheres de Abril, Sociedade
Comentários (1)