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“A mobilidade em Lisboa ilustra o fracasso do mandato de Medina”

Em entrevista ao Diário de Notícias, o líder da bancada municipal bloquista, Ricardo Robles, defende soluções alternativas para a política de transportes e habitação na capital.
Ricardo Robles.
Ricardo Robles.

A dependência da gestão de Fernando Medina em relação ao calendário eleitoral está a ter pesadas consequências para quem quer circular em Lisboa, defendeu Ricardo Robles na entrevista publicada esta terça-feira no Diário de Notícias.

“A mobilidade em Lisboa ilustra o fracasso do mandato de Medina. É difícil circular, os transportes não funcionam, o Metro e a Carris estão em situação de pré-colapso e o transporte individual deixou de ser opção”, diz o deputado municipal do Bloco, que propôs no debate sobre o estado da cidade soluções alternativas nesta matéria.

“Desafiámos o presidente para que, em simultâneo com um investimento forte na Carris e no Metro, seja feita uma redução drástica dos preços dos passes e haja gratuitidade para desempregados e sub-18, para recaptar utentes. Só baixando preços e melhorando a qualidade se recupera os 65 milhões de utentes perdidos nos últimos cinco anos”, propõe Ricardo Robles, que também contesta o alargamento anunciado para a rede do metropolitano que, na prática, “fecha a Linha Amarela na Linha Verde” e “não não chega onde devia, como Alcântara, Ajuda, Belém”. O Bloco propõe que estas opções sejam colocadas a debate público, “para que não seja mais um erro”.

O chumbo do PS e do PCP à proposta do Bloco para abrir uma comissão de inquérito ao concurso das obras da Segunda Circular é visto pelo deputado municipal como um sintoma da falta de transparência na vida camarária. “Alega-se conflito de interesses, mas nem o visado é ouvido no processo, portanto não há clareza nem transparência. Isto era um pilar fundamental da política de Fernando Medina, em termos de mobilidade, e de um momento para o outro esfumou-se”, recorda o deputado.

Benefícios fiscais a residentes não permanentes criaram “offshore no centro da cidade”

No que diz respeito a políticas de habitação, Ricardo Robles volta a contestar a opção pela venda de património municipal em vez de usá-los como “um instrumento fundamental para gerir a cidade e o mercado da habitação”, reabilitando-o e transformando-o “em habitação com rendas acessíveis, para poder regular o mercado”.

“Uma cidade cosmopolita tem de estar aberta tanto aos endinheirados que procuram a cidade como aos menos afortunados que procuram refúgio. E hoje há um desequilíbrio para investidores com capacidade financeira alta”, dnuncia o deputado bloquista, que classifica os benefícios dados aos residentes não permanentes para a compra de imóveis “uma espécie de offshore no centro da cidade”.

Lembrando que o Bloco propôs um estudo aprofundado sobre o impacto do alojamento local nas freguesias do centro de Lisboa, Ricardo Robles defende que se comece por ouvir as pessoas, “tanto residentes como quem está nesta atividade”, para se encontrar uma solução que permita equilibrar os interesses em causa, como tem acontecido noutras cidades com elevada procura turística em todo o mundo.

Ricardo Robles assume que o principal objetivo do Bloco nas próximas autárquicas na capital é o de eleger um vereador e assim conseguir “ter acesso à informação” que muitas vezes é negada aos deputados municipais. “O acesso à informação é fundamental para podermos defender a cidade”, acrescenta, concluindo que a mobilidade e a habitação serão os grandes temas da campanha bloquista para as eleições em 2017.

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