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Memórias: Ali "Farka" Touré

No dia 7 de março de 2006, morreu Ali Farka Touré. Foi um guitarrista e cantor maliano. A sua música é uma interseção da música tradicional do Mali com o blues e o seu legado deu sentido à vida de muitas pessoas em África. Por António José André.
Ali “Farka” Touré – Fly Global Music Culture - flickr
Ali “Farka” Touré – Fly Global Music Culture - flickr

Ali "Farka" Touré nasceu, em 1939, na vila de Kanau (noroeste do Malí). A mãe apelidou-o de Farka, que significa burro, animal bem considerado na sociedade rural africana pela sua força.

O pai foi alistado no exército francês e morreu enquanto lutava contra os nazis na IIª Guerra Mundial. E a família mudou-se para Niafunké, cidade deserta nas margens do rio Níger.

Filho do rio, como gostava de se chamar, Ali depressa se interessou pela música e contar historias. Fez o seu primeiro instrumento a partir de uma lata de sardinha com apenas uma corda. Quando era jovem, não frequentou a escola. Foi taxista, motorista de ambulâncias fluviais e mecânico.

Em 1966, conheceu o guitarrista guineense, Keita Fodeba. Depois de o ver tocar, jurou que também seria guitarrista.

Em 1968, viajou para o estrangeiro, pela primeira vez, para atuar no Festival da Juventude em Sófia (Bulgária), onde comprou a sua primeira guitarra.

Nesse ano, um amigo fê-lo ouvir alguns discos americanos: James Brown, Otis Redding e John Lee Hooker. "Quando ouvi os seus blues, a primeira coisa que pensei foi que Hooker era africano, embora não compreendesse a língua cantava', recordou Touré com uma gargalhada.

Dois anos mais tarde, em Bamako, conseguiu emprego como técnico de som na Rádio Mali. Com a ajuda de Boubacar Traoré, aproveitou as horas livres para gravar as primeiras canções.

A sua música espiritual reunia as tradições sonoras das etnias Songhai, Peul e Tamascheq, cujas ínguas ele sabia desde jovem.

O seu prestígio atravessou as fronteiras de África e chegou a Paris graças à etiqueta "Sonodisc", que lançou os seus primeiros discos. Um deles chegaria a Londres.
Em 1986, Anne Hunt, co-fundadora do editora britânica "World Circuit", viajou para Bamako a fim de localizar o "pai" do blues africano. Com a ajuda de Toumani Diabaté, colocou um anúncio na rádio nacional. Ali viu a mensagem e apareceu na estação.

Em 1987, visitou Londres, onde atuou e gravou o seu primeiro álbum para a "World Circuit". Desta relação saiu uma das mais importantes discografias de África.

A mítica cidade de Timbuktu serviu de inspiração para o disco que gravou, em 1994, com o guitarrista californiano, Ry Cooder: "Talking Timbuktu". Pode ouvir aqui:

Em 2000, no auge do sucesso, abandonou os espetáculos para ser Presidente da Câmara de Niafunké ("Primeiro, sou agricultor; depois sou artista", disse.). Estava comprometido com o futuro do seu povo e gastou muito dinheiro na agricultura.

Ali "Farka" Touré morreu a 7 de março de 2006. A sua música é uma intersecção da música tradicional do Mali com o blues. O seu legado deu sentido à vida de muitas pessoas em África.

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