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Ken Loach rejeita prémio do Festival de Turim

O realizador britânico Ken Loach rejeitou o prémio do Festival de Turim devido às políticas de precarização e outsourcing dos trabalhadores do festival.
Ken Loach. Foto Chris Payne - Cornerhouse/Flickr

Nota da edição: Apesar de ter sido notícia na imprensa internacional esta semana, foi em novembro de 2012 que o realizador britânico recusou o prémio de carreira no festival de Turim


Numa carta pública entregue à organização, o realizador agradece a atribuição do prémio mas diz-se obrigado a recusar devido à “externalização dos serviços que são prestados pelos trabalhadores com salários mais baixos” no festival.

“É com grande pesar que me vejo obrigado a recusar o prémio que me foi atribuído pelo Festival Torino Film, um prémio que seria honrado em receber, para mim e para todos os que trabalharam nos nossos filmes. Os festivais têm a importante função de promover a cinematografia europeia e mundial e Turim tem uma excelente reputação, tendo contribuído de forma evidente para estimular o amor e a paixão pelo cinema", pode ler-se na carta.

“No entanto”, escreve, “há um problema grave, ou seja, a questão da externalização dos serviços que são prestados pelos trabalhadores com os salários mais baixos. Como sempre, a razão é a poupança de dinheiro e a empresa que ganha o contrato reduz os salários e corta o pessoal. É uma receita destinada a alimentar conflitos. O facto de isso acontecer em toda a Europa não torna esta prática aceitável ", critica.

Em Turim “foram externalizados para a Cooperativa Rear os serviços de limpeza e segurança do Museu Nacional do Cinema (MNC). Após um corte de salários, os trabalhadores denunciaram práticas de intimidação e maus tratos. Várias pessoas foram demitidas. Os trabalhadores mais mal pagos, os mais vulneráveis, perderam então o emprego por se oporem a um corte salarial”.

“É difícil para nós nos debruçarmos sobre uma disputa que acontece em outro país, com práticas de trabalho diferentes das nossas, mas isso não significa que os princípios não sejam claros. Nesta situação, a organização que contrata serviços não pode fechar os olhos, mas deve assumir a responsabilidade das pessoas que trabalham para ela, mesmo que estas sejam empregadas por uma empresa externa. Eu esperaria que o Museu, neste caso, dialogasse com os trabalhadores e seus sindicatos, garantisse a resumida dos trabalhadores despedidos e reconsiderasse a sua política de externalização”.

“Não é justo que os mais pobres tenham que pagar o preço de uma crise econômica pela qual não são responsáveis ", sentencia. E relembra que “fizemos um filme dedicado precisamente a este tópico”, fazendo referência a Bread and Roses

“Como poderia eu não responder a um pedido de solidariedade dos trabalhadores que foram demitidos por lutarem pelos seus direitos? Aceitar o prémio e limitar-me a alguns comentários críticos seria um comportamento fraco e hipócrita. Não podemos dizer uma coisa na tela e depois traí-la com nossas ações. Por isso, embora com muita tristeza, me encontre obrigado a recusar o prémio”, conclui.

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