FPF desiste de impor tetos salariais no futebol feminino

25 de June 2020 - 0:20

O recuo surge seis dias depois de 132 jogadoras do movimento “Futebol Sem Género” se terem oposto a esta medida discriminatória por parte da Federação Portuguesa de Futebol.

PARTILHAR
Imagem de Futebol Sem Género /Instagram

A Federação Portuguesa de Futebol  (FPF) publicou no seu site uma nota onde refere que, em conjunto com o Sindicato dos Jogadores, chegou a um entendimento e a “norma do limite orçamental não constará da proposta final” do regulamento 2020/21 da Lifa feminina de futebol de 11.

Na passada quinta-feira, foi divulgado um comunicado do movimento “Futebol Sem Género”, assinado por 132 jogadoras de futebol feminino, contra a decisão da FPF de implementar o princípio de haver um teto máximo de 550 mil euros ilíquidos para a soma dos salários das jogadoras da “Liga BPI”, o escalão principal do futebol feminino português. 

A nota da FPF refere ainda que a medida criou um “clima de intranquilidade gerado pelo facto da medida ter sido interpretada como uma discriminação em função do género”, argumento que a FPF refuta. Agora a federação irá tentar encontrar uma “solução alternativa” em diálogo social com o Sindicato de Jogadores.

O movimento “Futebol Sem Género” já reagiu a este comunicado através da sua página no Instagram. As jogadoras dizem que veêm “com naturalidade” este recuo, mas lamentam que a FPF “continue a entender que a imposição deste teto, somente aplicável ao futebol feminino, não encerre em si mesmo violações crassas dos direitos das jogadoras, em prejuízo do futebol em geral e do futebol feminino em particular, e que recue alegando o clima de intranquilidade gerado”.

O movimento que conta já com as assinaturas de mais de 200 jogadoras, diz continuar alerta “contra estas e outras violações”, e faz duras críticas ao Sindicato dos Jogadores que só mudou de posição depois da pressão das jogadoras.

Também o deputado Luís Monteiro, do Bloco de Esquerda, que tem marcado para esta quinta-feira um encontro no Parlamento com algumas das subscritoras do protesto, reagiu na sua conta pessoal de Twitter, onde afirmou que esta desistência por parte da FPF “é uma vitória destas Atletas, das Mulheres, de quem não desistiu de lutar pelo que é justo e seu por direito: igualdade!”