A Federação Portuguesa de Futebol decidiu a 29 de maio implementar o princípio de haver um teto máximo de 550 mil euros ilíquidos para a soma dos salários das jogadoras da “Liga BPI”, o escalão principal do futebol feminino português. A entidade justificava a medida a aplicar na próxima época com as “circunstâncias excecionais decorrentes da pandemia de Covid-19”.
O problema é que a medida é pensada para ser aplicada apenas ao futebol feminino. Assim, as jogadoras criaram em resposta um movimento a que chamaram Futebol Sem Género, denunciando o caráter “discriminatório” da medida.
As jogadoras enviaram esta quinta-feira um comunicado em que se opõem “veementemente” à decisão dizendo fazê-lo “não apenas porque são interessadas, mas sobretudo porque tal medida é, avassaladoramente, violadora dos seus direitos individuais enquanto jogadoras de futebol, tutelados pela Lei, mas, sobretudo, violadora dos direitos humanos protegidos ao nível nacional e internacional”.
Em nome de “centenas de jogadoras de futebol feminino” para além de manifestar “descontentamento e oposição” anunciam ainda “uma ação legal, nomeadamente o direito de resposta à FPF”.
Para as jogadoras de futebol, a FPF age “sob a capa da trágica situação de saúde pública que hoje vivemos” o que é “eticamente censurável” e “total e ostensivamente discriminatório”. Exigem portanto que se fale “falar do futebol no seu todo”, “sem disparidades e diferenciações”.
Solange Carvalhas, internacional portuguesa atualmente ao serviço do Famalicão, foi uma das jogadoras a dar apoio público a esta campanha nas redes sociais: