You are here

Estivadores de Setúbal juntam-se do protesto do Porto de Lisboa

Os estivadores do Porto de Setúbal vão fazer greves parciais a partir de 16 de março, em solidariedade com a luta dos estivadores de Lisboa.
Protesto dos estivadores em Lisboa. Imagem esquerda.net.

"Os estivadores da Operestiva, que trabalham para a empresa Sadoport, do grupo Yilport, decidiram fazer duas horas de greve ao primeiro turno e uma hora de greve ao segundo turno”, disse à agência Lusa o presidente do Sindicato dos Estivadores Atividade Logística (SEAL), António Mariano, acrescentando que “os trabalhadores afetos à empresa Setulsete, que faz a cedência de mão-de-obra às empresas Tersado e Setefrete, vão fazer greve ao trabalho suplementar aos dias úteis". Já a empresa Naviport, que assegura o transporte da produção da Autoeuropa, será poupada à paralisação pelo menos nesta fase.

Para além da solidariedade com a luta dos estivadores do Porto de Lisboa, esta paralisação tem também como objetivo passar a mensagem “de que não aceitam a estratégia das empresas de Lisboa, que também estão em Setúbal". "Os estivadores de Setúbal não aceitam esta estratégia de encerramento das empresas de trabalho portuário existentes, para depois abrirem outras ali ao lado, com perda de direitos e regalias dos trabalhadores", disse António Mariano à Lusa.

Esta quinta-feira, o SEAL juntou no Porto de Lisboa sindicalistas, políticos e ativistas solidários com a sua luta. O deputado bloquista José Soeiro sublinhou a importância desta luta contra a prepotência das empresas que “querem rebentar com a empresa de trabalho portuário e libertar-se dos trabalhadores que foram ganhando o seu vínculo efetivo com esta empresa” após o acordo de 2018.

A greve total dos estivadores de 9 a 30 de março seguiu-se à ameaça de insolvência da Associação Empresa de Trabalho Portuário de Lisboa (A-ETPL), proposta pelas sete empresas de estiva que a compõem. “Esta insolvência é do nosso ponto de vista totalmente fraudulenta”, afirmou José Soeiro, acrescentando que o Bloco já interpelou o governo no sentido de intervir.

“Portugal ainda não é uma república das bananas em que os grupos económicos podem pôr e dispor das pessoas e violar as leis mais básicas”, concluiu o deputado do Bloco.

Para António Mariano, “esta ameaça de insolvência para já é só uma ameaça” com vista a pressionar os trabalhadores a abandonarem as suas reivindicações. O líder sindical estranha que uma empresa que “diz que não tem condições para pagar salários e que há 18 meses paga os salários a prestações” venha anunciar que tem 122 milhões para investir no terminal de Lisboa.

Quanto ao desequilíbrio financeiro da A-ETPL, António Mariano realça que o seu tarifário - o dinheiro que a A-ETPL cobra às empresas pela cedência de trabalhadores e cujo montante é definido pelas próprias empresas - está congelado há 26 anos. “Foram as próprias empresas de estiva que colocaram a A-ETPL à beira da insolvência, através de um processo de gestão danosa”, acusa o sindicato.

Termos relacionados Sociedade
(...)