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Bloco quer intervenção do governo na “escalada do conflito” no Porto de Lisboa

Estivadores decidiram em plenário agravar formas de luta, com greve total a partir de dia 9 de março. Face à ameaça de insolvência da empresa de trabalho portuário, o Bloco de Esquerda chamou representantes do grupo Yilport, do sindicato e do governo a darem explicações no parlamento.
Porto de Lisboa. Foto de Paulo Valdivieso/Flickr

A greve dos estivadores iniciada esta quarta-feira no Porto de Lisboa a dois dos turnos de serviço conta com adesão total em protesto contra os salários em atraso os incumprimentos patronais em relação ao acordado com os trabalhadores. O conflito conheceu um novo capítulo esta quinta-feira, com a Associação-Empresa de Trabalho Portuário de Lisboa — A-ETPL, empresa de cedência de mão-de-obra às sete empresas de estiva do Porto de Lisboa — a anunciar que vai pedir insolvência devido à situação financeira em que se encontra e ao impasse negocial com os estivadores.

Reunidos esta sexta-feira em plenário, os estivadores do Porto de Lisboa decidiram agravar as formas de luta na sequência do pedido de insolvência da A-ETPL. “Assim, a partir do próximo dia 9 e até ao dia 30 de Março, decidiram fazer uma greve total a todas as empresas portuárias. Para que a paz possa regressar ao porto de Lisboa basta que os patrões cumpram o que assinam e paguem o que devem”, informa o Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística nas redes sociais.

O Bloco de Esquerda defende que “cabe ao Governo evitar uma escalada de conflito promovida pelas próprias empresas, que pretendem instrumentalizá-lo para desvalorizar o Porto de Lisboa”. É que ao mesmo tempo que o grupo turco Yilport propõe reduções salariais aos estivadores e desvia a carga para outros portos onde está presente, diz estar disponível para investir 122 milhões de euros no Terminal de Contentores de Alcântara, “quando está em negociações para a prorrogação do prazo de concessão desse terminal portuário de Lisboa”.

“É preciso lembrar que as empresas que agora querem a insolvência da A-ETPL, colocando em causa cerca de 150 postos de trabalho, são as suas clientes, interessadas em provocar esta situação para poderem recorrer ao mesmo trabalho, mas em condições mais precárias e com outras empresas de fornecimento de mão-de-obra”, refere a pergunta dirigida pelos deputados José Soeiro e Isabel Pires ao inistério das Infraestruturas e da Habitação.

Em janeiro, os trabalhadores só receberam 390 euros do seu salário e a empresa propôs-lhes uma redução de 15% na remuneração futura. Além disso, 34 estivadores que assinaram contratos sem termo em 2016 receberam a proposta de voltarem à situação precária em que antes se encontravam. Já o tarifário da A-ETPL, definido pelas mesmas empresas às quais depois é faturado, não é atualizado há mais de 26 anos, denuncia o sindicato.

Para além da mediação deste conflito, o Bloco de Esquerda entende ainda que cabe ao governo “exigir às empresas que cumpram os seus compromissos e os acordos que assinaram, alguns deles em processos negociais promovidos pelo próprio Governo” nos últimos anos.

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