Foi uma passagem discreta e sem registos públicos a que o ex-congressista Devin Nunes fez a Portugal entre o final de setembro e o início de outubro. Mas uma reportagem pubicada na edição impressa da revista Visão tentou seguir-lhe os passos a partir dos testemunhos dos que com ele se encontraram e não optaram pelo silêncio.
Diz a Visão que o atual CEO do Trump Media & Technology Group ficou alojado em Cascais na estalagem de luxo Farol Hotel, detido pela empresa que junta o grupo Bel de Marco Galinha aos milionários russos Markos Leivikov, seu sogro e arguido na operação Monte Branco, e Vladimir Karamanov, o antigo número dois da empresa estatal russa JSC que chegou a ser detido e mais tarde ilibado numa investigação ao desvio de cerca de mil milhões de rublos daquela empresa para contas em offshores.
Marco Galinha e Devin Nunes são amigos de longa data e segundo a Visão o dono da Global Media foi o seu anfitrião no estádio municipal de Braga no dia 27, onde assistiram à eliminação da seleção portuguesa no jogo decisivo para aceder à fase final da Liga das Nações.
Mas a viagem ao norte terá sido aproveitada por Devin Nunes para tentar captar investidores e empresários da região, além de personalidades do mundo da política, desporto e entretenimento com influência nas redes sociais, para aderirem à rede social Truth Social, que tem em Donald Trump o seu impulsionador e o ativo mais valioso.
Esta semana, a Truth Social viu crescer o número de utilizadores após a luz verde da Google em disponibilizar a aplicação na sua loja oficial, mas o desempenho da rede social continua muito abaixo das expetativas quanto ao número de utilizadores. E pode mesmo acabar em falência caso o negócio entre Elon Musk e o Twitter se concretize e o bilionário consiga convencer Donald Trump a regressar à rede que usava compulsivamente e que acabou por suspendê-lo após bloquear várias das suas publicações por veicularem mentiras e ódio.
Longe das redes sociais, mas próximo de Devin Nunes nesta visita a Portugal, esteve Paulo Portas, sem esconder a amizade de mais de uma década com o ex-congressista lusodescendente que "gosta de Portugal". “Dá-me ideia de que veio cá de férias. Tomámos um café, falámos de tudo e mais um par de botas. Perguntei-lhe como é a estabilidade laboral de uma pessoa que trabalha com o Trump...”, brincou o ex-ministro agora rendido à consultadoria de negócios com a América Latina e África e ao comentário televisivo.