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Central nuclear de Almaraz com falhas de segurança

Falha no sistema de arrefecimento da central detectada numa inspeção põe em causa a segurança do seu funcionamento. Quercus denuncia perigo e exige o encerramento de central. Comissão Parlamentar de Ambiente reune-se hoje extraordinariamente.
Central Nuclear de Almaraz. Foto de Foro Nuclear/Flickr

A central nuclear localiza-se em Cáceres, a cem quilómetro da fronteira com Portugal. Iniciou o seu funcionamento no início dos anos 1980, o seu encerramento foi previsto em 2010, mas o Governo do Estado Espanhol prolongou o seu funcionamento até 2020.

Cinco inspetores do Conselho de Segurança Nuclear (CSN) do Estado Espanhol alertaram para o facto de o sistema de arrefecimento da central não estar a funcionar devidamente, em particular para duas avarias nos motores das bombas de água de serviços essenciais da central nuclear. Segundo informação da Agência Lusa, a Agência Portuguesa do Ambiente afirma que o Conselho de Segurança Nuclear do Estado Espanhol garantiu que a central é segura.

Face à denúncia dos inspetores do CSN, a associação ambientalista Quercus emitiu um comunicado de imprensa, exigindo o encerramento da central nuclear, argumentando que Portugal não está preparado para lidar com um acidente grave, que afetaria a zona fronteiriça, especialmente os distritos de Castelo Branco e de Portalegre. Os efeitos para o país podem ser “quer por contaminação das águas, uma vez que a central se situa numa albufeira afluente do rio Tejo, quer por contaminação atmosférica, pela grande proximidade geográfica existente”.

“A Quercus defende que, perante os sucessivos problemas técnicos e de segurança detetados na central, é fundamental que a mesma encerre imediatamente e sejam tomadas todas as medidas no sentido de colocar em marcha um plano de desmantelamento da estrutura e descontaminação do local”, pode ler-se no comunicado.

Segundo a Quercus, a central “tido incidentes com regularidade, existindo situações em que já foram medidos níveis de radioatividade superior permitidos”. Um exemplo grave foi o do acidente que ocorreu em Maio de 2008, “que obrigou à evacuação do pessoal do recinto de contenção e onde foram libertados cerca de 30 000 litros de água radioactiva que após tratamento teve que ser libertada no rio Tejo”, denuncia a associação ambientalista.

O Bloco, os Verdes, o PAN e o PSD já manifestaram preocupação com as falhas na segurança da central nuclear e os coordenadores das diferentes bancadas na Comissão Parlamentar do Ambiente reuniram-se extraordinariamente para analisar a situação. O documento final dessa reunião pode ser lido na íntegra em anexo e pede esclarecimentos ao governo sobre a situação real da central nuclear e sobre quais os meios preventivos e de controlo na eventualidade de um acidente nuclear.

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