Após a reunião por videoconferência com o Presidente da República, no âmbito do debate sobre a renovação do estado de emergência, Catarina Martins assinalou que é fundamental garantir apoios às “pessoas que mais sofrem os impactos da pandemia” e que as medidas implementadas “têm ficado aquém do necessário”.
A dirigente bloquista lembrou que o apoio para trabalhadores independentes, sócios gerentes e outros trabalhadores que não têm acesso a subsídio de desemprego deveria ter abrangido, de acordo com as promessas do Governo, 250 mil pessoas. No entanto, esta medida, que o Bloco sempre afirmou estar “mal desenhada”, só chegou a 37 mil trabalhadores.
Se é verdade que o executivo aparenta “começar a perceber o problema”, também é verdade que o apoio “ainda não chegou às famílias em concreto”, que todos os meses têm de pagar as suas contas.
Neste contexto, Catarina deixou um apelo ao governo de António Costa: que “coloque os apoios no terreno o mais cedo possível”.
A coordenadora do Bloco defendeu também que é preciso apostar e investir em mais testagem, na realização de mais rastreios, por forma a conter a pandemia.
Em relação à reunião no Infarmed com os técnicos sobre a situação epidemiológica em Portugal, realizada esta terça-feira, Catarina Martins avançou que se conclui que “a fase de desconfinamento em que estamos não trouxe problemas maiores aos que já tínhamos”. “Em todo o caso, há uma ligeira subida do RT, mas que não é acompanhada por um aumento de internamentos ou de pessoas em cuidados intensivos”, acrescentou.
De acordo com a dirigente bloquista, os dados disponíveis realçam a importância da vacinação, demonstram que a mesma dá resultados e é fundamental para o desconfinamento.
Por outro lado, é notório que “estamos longe de uma situação em que possamos estar aliviados, na medida em que “continuamos a ter uma grande camada da população não vacinada”.
“Tem havido falta de produção e distribuição de vacinas”
Catarina Martins teceu críticas à forma como o processo de vacinação está a ser tratado, referindo que este é um problema a nível europeu. O Bloco reitera que “tem havido falta de produção e distribuição de vacinas” e defende que Portugal devia comprar vacinas, devidamente certificadas, a mais proveniências.
É também urgente que, do ponto de vista europeu, se faça um esforço para ultrapassar a questão das patentes e produzir mais vacinas, tal como aconteceu nos EUA, em que houve uma “clareza com as farmacêuticas que a Europa nunca teve”.
A coordenadora do Bloco considera “irresponsável a forma como se tem gerido a questão dos efeitos secundários das vacinas”. Destacando que a opinião técnica é aquela que é importante, Catarina apontou que não existe risco acrescido de umas vacinas em relação a outras e nem risco acrescido de umas vacinas em relação a outros medicamentos à venda no país.
“A nossa responsabilidade exige-nos que haja uma política estável sobre vacinação, que não crie alarmismo e que permita o processo de vacinação com toda a segurança e que chegue a toda a população”, defendeu.
“Não deve haver uma banalização do estado de emergência”
Se a decisão do Governo for a de avançar para o plano de desconfinamento sem a introdução de outras medidas de contenção da pandemia, Catarina Martins defende que não faz sentido manter o estado de emergência.
“Um país que possa estar desconfinado é um país que não precisa de estado de emergência”, destacou, rematando que “não deve haver uma banalização do estado de emergência e ele não deve arrastar-se indefinidamente”.