A manifestação desta terça-feira em frente ao Parlamento deu um sinal da unidade dos sindicatos contra a nova vaga de despedimentos na banca. As comissões de trabalhadores dos dois bancos que nos últimos meses mais têm pressionado os trabalhadores a sair acusam as administrações de os estarem a substituir por mão de obra precária.
No caso do Santander, onde se prevê a saída de 1.400 trabalhadores entre setembro de 2020 e o mesmo mês deste ano, “só é possível esta redução porque continuam a contratar trabalhadores precários a 700 euros, empresas ‘outsourcing’ e a abrir lojas que substituem balcões que se chamam lojas de intermediário de crédito vinculado, que fazem parte da funções que o balcão faz”, denunciou à agência Lusa o coordenador da comissão de trabalhadores do Santander Totta, João Pascoal.
Por seu lado, Cristina Miranda, da comissão de trabalhadores do BCP, disse que “a banca dá a ideia de mandar gente embora, não para diminuir mas para substituir por precários”. Apesar de ter dito no ano passado que não iria reduzir significativamente o número de trabalhadores durante a pandemia, o Millennium BCP prepara-se para mandar embora um milhar de funcionários.
“Os bancos foram intervencionados e todos pagámos, e os trabalhadores do BCP a dobrar (aceitaram cortar vencimentos para não ir embora e foram na mesma) e agora tentam ‘limpar’ rapidamente. Isto não é consideração e responsabilidade social, além de que atiram a responsabilidade pelos trabalhadores para cima do Estado”, afirmou Cristina Miranda à Lusa.