Detida desde maio de 2018, Loujain al-Hathloul é uma das maiores ativistas pela defesa dos direitos humanos, em particular os direitos das mulheres, da Arábia Saudita. A acusação pede que lhe seja atribuída a pena máxima de prisão: 20 anos.
Loujain já fora detida várias vezes por desafiar a antiga lei que impedia as mulheres de conduzir e por fazer campanha contra a lei que coloca as mulheres sob a tutela de um familiar do sexo masculino. Agora é acusada de desestabilização da segurança nacional e de trabalhar com organizações estrangeiras contra o estado saudita.
Numa audição que teve lugar esta semana num tribunal especializado em assuntos relacionados com terrorismo, soube-se que a sentença será divulgada no início da próxima semana. Porém, a família de Loujain e seus representantes legais foi chamada para comparecer esta quinta-feira em tribunal.
“A minha irmã tem de ser solta… Tudo o que fez foi pedir que as mulheres sejam tratadas com a dignidade e liberdade a que têm direito. As autoridades sauditas pedem que ela seja condenada por isso à sentença máxima prevista na lei - 20 anos na prisão”, disse Lina al-Hathloul ao Guardian.
“Dizem que ela é uma terrorista, mas na verdade é uma humanitária, uma ativista e uma mulher que no fundo só quer um mundo mais justo”.
A detenção de Loujain decorreu poucos dias antes da alteração da lei que anteriormente impedia as mulheres de conduzir - precisamente uma das reformas que defendia e pela qual lutava. Alguns analistas consideram que este gesto foi uma forma de a liderança ultra-conservadora do país deixar claro que a mudança só pode ocorrer de cima para baixo e não com campanhas nas ruas e na opinião pública.
Nestes mais de dois anos de prisão, a família da ativista diz que esta já foi agredida sexualmente, torturada com choques elétricos e espancamento e impedida de comunicar com o exterior por longos períodos de tempo. O Comité para os Direitos das Mulheres das Nações Unidas já veio a público expressar a sua preocupação com o bem-estar de Loujain al-Hathloul.