Na passada terça-feira, representantes dos trabalhadores da Petrogal, do Grupo Galp Energia, promoveram um protesto junto à sede da empresa, nas Torres de Lisboa, exigindo a retirada do “plano social” que, na realidade, é um “plano de desemprego”. Numa resolução entregue ao cuidado da administração, a Fiequimetal defende que “é preciso desmascarar o apregoado ‘Plano Social’ da empresa, que não passa de publicidade enganosa”.
O que a empresa pretende é, “através da pressão e chantagem sobre os trabalhadores, coagir os trabalhadores a aceitarem pré-reformas a baixo custo e rescisões de contratos, lançando os trabalhadores no desemprego, colocando uma enorme sobrecarga na Segurança Social”, escreve a estrutura sindical, alertando ainda que, em algumas situações, “os trabalhadores ficam sem o direito legal a qualquer apoio social”.
A Fiequimetal considera esta situação inaceitável, “muito mais quando se trata de uma empresa que nos últimos anos tem distribuído dividendos fabulosos aos accionistas e continua a contratar trabalhadores em prestação de serviços para, com redução de direitos, garantir os seus propósitos”.
Galp distribuiu dividendos no valor de cerca de 580 milhões
Galp: do despedimento de precários aos dividendos dos acionistas
<p>No dia 24 de abril, reúne a Assembleia Geral da Galp. Na ordem de trabalhos está a decisão de distribuição de dividendos aos acionistas. A mesma empresa que este mês já despediu mais de 80 trabalhadores precários, só em Sines, segundo denúncia do sindicato do setor, prepara-se para pagar mais de 300 milhões de euros em lucros aos acionistas.</p>
Em abril, o Bloco viu chumbada no Parlamento, com os votos contra do PS, PSD e restante direita, a sua proposta de proibição de distribuição de dividendos. Para esse mesmo mês, mais concretamente para o dia 24, estava agendada uma Assembleia Geral da Galp exatamente sobre a distribuição dos lucros de 2019.
Antes desse encontro, o Bloco desafiou o Governo a votar contra o pagamento de dividendos na empresa.
Catarina Martins lembrou que o Estado tem uma participação na empresa, ainda que pequena, sublinhando que o executivo devia dar instruções aos representantes para votarem contra a proposta e defender a reintegração dos trabalhadores precários despedidos.
A coordenadora bloquista frisou ser “inaceitável que os trabalhadores paguem para os acionistas lucrarem com a crise”.
No total, a companhia liderada por Carlos Gomes da Silva acabou por autorizar o pagamento de cerca de 580 milhões de euros aos acionistas.
Na próxima terça-feira, os deputados Isabel Pires e José Soeiro irão reunir, por videoconferência, com a Comissão de Trabalhadores da Galp.