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Após distribuir dividendos a acionistas, Galp ameaça despedir 200 trabalhadores

A ameaça de despedimento coletivo paira sobre estes trabalhadores, que têm vindo a ser sujeitos a pressão e chantagem para aceitarem a “saída voluntária da empresa”, no âmbito do processo de reestruturação. Galp distribuiu dividendos no valor de cerca de 580 milhões de euros aos seus acionistas.
Galp. Foto de Manuel de Almeida/Lusa.
Galp. Foto de Manuel de Almeida/Lusa.

Na passada terça-feira, representantes dos trabalhadores da Petrogal, do Grupo Galp Energia, promoveram um protesto junto à sede da empresa, nas Torres de Lisboa, exigindo a retirada do “plano social” que, na realidade, é um “plano de desemprego”. Numa resolução entregue ao cuidado da administração, a Fiequimetal defende que “é preciso desmascarar o apregoado ‘Plano Social’ da empresa, que não passa de publicidade enganosa”.

O que a empresa pretende é, “através da pressão e chantagem sobre os trabalhadores, coagir os trabalhadores a aceitarem pré-reformas a baixo custo e rescisões de contratos, lançando os trabalhadores no desemprego, colocando uma enorme sobrecarga na Segurança Social”, escreve a estrutura sindical, alertando ainda que, em algumas situações, “os trabalhadores ficam sem o direito legal a qualquer apoio social”.

A Fiequimetal considera esta situação inaceitável, “muito mais quando se trata de uma empresa que nos últimos anos tem distribuído dividendos fabulosos aos accionistas e continua a contratar trabalhadores em prestação de serviços para, com redução de direitos, garantir os seus propósitos”.

Galp distribuiu dividendos no valor de cerca de 580 milhões

Em abril, o Bloco viu chumbada no Parlamento, com os votos contra do PS, PSD e restante direita, a sua proposta de proibição de distribuição de dividendos. Para esse mesmo mês, mais concretamente para o dia 24, estava agendada uma Assembleia Geral da Galp exatamente sobre a distribuição dos lucros de 2019.

Antes desse encontro, o Bloco desafiou o Governo a votar contra o pagamento de dividendos na empresa.

Catarina Martins lembrou que o Estado tem uma participação na empresa, ainda que pequena, sublinhando que o executivo devia dar instruções aos representantes para votarem contra a proposta e defender a reintegração dos trabalhadores precários despedidos.

A coordenadora bloquista frisou ser “inaceitável que os trabalhadores paguem para os acionistas lucrarem com a crise”.

No total, a companhia liderada por Carlos Gomes da Silva acabou por autorizar o pagamento de cerca de 580 milhões de euros aos acionistas.

Na próxima terça-feira, os deputados Isabel Pires e José Soeiro irão reunir, por videoconferência, com a Comissão de Trabalhadores da Galp.

 

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