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Açores: contrato publicitário de dois milhões com a Ryanair é “inconcebível”

O Governo Regional dos Açores vai entregar dois milhões de euros à Ryanair, no momento em que a empresa contesta nos tribunais europeus o apoio do Estado à SATA e à TAP. O deputado do Bloco de Esquerda dos Açores, António Lima, contesta o negócio.
Negócio dos Açores com Ryanair é “inconcebível”
Fotografia de Aurelijus Valeiša/Flickr.

O Governo dos Açores anunciou a assinatura de dois contratos com a companhia aérea Ryanair, num valor de dois milhões de euros. Os contratos têm como objetivo promover o arquipélago como destino turístico no Reino Unido e na Alemanha.

A companhia aérea de baixo custo tem neste momento um recurso junto do Tribunal de Justiça da União Europeia com vista a anular a decisão da Comissão Europeia que aprovava o apoio de 1.200 milhões do Estado português à TAP e SATA. 

Foi por esse motivo que o Bloco de Esquerda dos Açores reagiu de imediato à notícia, qualificando como “inconcebível” que o governo regional faça negócios com uma empresa que “quer destruir” a SATA e a TAP. 

Para António Lima, “é preciso não ter vergonha” para assinar contratos com uma empresa que está ativamente a tentar prejudicar a companhia aérea açoriana. 

"É inconcebível que um governo que representa os acionistas da SATA, que são os açorianos e as açorianas, faça negócios destes com a empresa que quer destruir a SATA e a TAP”, frisou o também líder parlamentar do Bloco.

A ação judicial da companhia irlandesa deu entrada a 22 de julho no Tribunal de Justiça da União Europeia e o seu resultado deverá ser conhecido “dentro de oito a dez meses”, revelou na altura Juliusz Komorek, responsável pelos assuntos legais da companhia aérea irlandesa. Se a empresa vencer o recurso, as companhias aéreas seriam obrigadas a devolver todo o dinheiro que o Estado português lhes tiver dado até então. 

António Lima vai mais longe e questiona: “seria interessante saber o que a Comissão Europeia, do alto da sua ortodoxia neoliberal, pensa deste apoio de Estado à Ryanair”.

Para além deste recurso no Tribunal de Justiça europeu, que se dirige também a outras companhias aéreas europeias, a Ryanair continua a braços com inúmeras acusações de atropelo dos direitos laborais e desrespeito pela legislação dos países onde opera.

Em Portugal, os trabalhadores denunciaram recentemente que a empresa recusa-se a pagar salários em atraso e está a impôr vencimentos abaixo do salário mínimo nacional, bem como cortes salariais.

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