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Abate de animais na Quinta da Torre Bela arrasta-se há meses

Para abrir caminho à construção de uma central fotovoltaica naquele terreno, a “solução” encontrada para os animais que habitavam a herdade murada foi aumentar as caçadas para os abater em maior número.
Abate de animais na Quinta da Torre Bela arrasta-se há meses
Fotografia de Mais Ribatejo.

A notícia da morte de 540 animais durante uma “caçada” na herdade murada da Quinta da Torre Bela gerou revolta um pouco por todo o lado. Porém, sabe-se agora que nos últimos meses a proprietária da quinta já tinha desenvolvido várias caçadas com o objetivo de conseguir uma grande redução do número de veados, gamos e javalis. O objetivo, explicava o estudo de impacte ambiental entregue em novembro à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), era abrir caminho à instalação de uma central fotovoltaica naquele terreno.

De acordo com uma notícia da TSF, que teve acesso ao estudo, a expetativa de se vir a construir uma central fotovoltaica para produção de energia solar é mesmo o único motivo apresentado:  "Na ausência do projeto seria de esperar que se mantivesse a zona de caça”.

O estudo de impacte ambiental, apresentado no passado mês de novembro, é claro ao explicar que a presença dos animais, que ao longo de anos eram uma fonte de rendimento naquela que é uma zona de caça, era agora um problema que precisava de “solução”. O documento "é claro a dizer que os painéis solares iriam fazer com que veados, gamos e javalis ficassem sem espaço para o seu habitat”, explica a TSF.

"A zona não tem dimensão e alimento suficiente para a manutenção de todos os animais existentes”, diziam. E libertar os animais da maior quinta murada de Portugal não seria aparentemente uma “solução”, uma vez que os veados e gamos da Quinta da Torre Bela são geneticamente diferentes das espécies existentes na Península Ibérica.

No passado mês de março foi feita uma outra análise preliminar do projeto que indicava que estava a ser ponderada uma solução alternativa que consistia em transferir os animais para outra herdade. O objetivo seria evitar o "extermínio" dos animais através de sucessivas ações de caça. A informação que consta no estudo realizado nove meses depois indica que esta opção não fora avante.

A central fotovoltaica que será construída na herdade da Torre Bela corresponde ao lote do leilão de energia solar feito pelo Estado em julho de 2019. De acordo com o estudo de impacto ambientar, a sua construção é de “inegável” interesse público, estando inserida nas linhas de orientação do atual governo do Partido Socialista e indo ao encontro dos compromissos do país em termos de produção de energia através de fontes renováveis até 2025.

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