O que é o municipalismo de esquerda? 2/2

Texto de Ana Garron de apoio ao debate “O que é o municipalismo de esquerda?”, que terá lugar no Fórum Socialismo 2019, no sábado, 31 de agosto, às 16h30, no Porto. O debate será dinamizado por José Castro e Ana Garron.

29 de agosto 2019 - 15:06
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Fotografia de Paulete Matos
Fotografia de Paulete Matos

No dia 15 de maio de 2011, após uma manifestação pacífica, cerca de 40 pessoas decidem acampar na Puerta del Sol, em Madrid. Durante vários dias, mais pessoas juntam-se até atingirem a centena. São o acampamento dos “indignados”, como começarão a ser conhecidos. Um espaço onde existe um modelo assembleário e se debate, de um ponto de vista crítico, a economia, a dívida, o bipartidismo, as reformas laborais, o patriarcado, etc.

Slogans como “Sim, podemos” e “Não nos representam” ressoaram primeiro no Sol em Madrid e depois em todas as praças de Espanha, iniciando um movimento de denúncia que se tornou mundial e se refletiu em diferentes partes do mundo, tendo tido equivalentes como o Occupy Wall Street, movimento que fez com que muitas pessoas questionassem o modelo de política dominante. A cidadania exigia uma mudança, e desta vez eu faria parte dela.

Nesse contexto, na cidade de Cádiz, também se viveu todo o processo de ocupação das praças e de posterior desenvolvimento de assembleias de bairro. E onde o Podemos já tinha fortes raízes, entre outras coisas, pela figura de Teresa Rodriguez, um grupo de pessoas de diferentes idades e com diferentes caminhos na política - membros de movimentos sociais, estudantes, ex-militantes de partidos de esquerda, gente, em última instância, convencida de que era possível uma nova forma de fazer política e que o momento era então - decidiu unir-se e pôr em prática um projeto político para concorrer às eleições municipais de 2015.

Cádiz era uma cidade que passara por um doloroso processo de desindustrialização, era capital europeia do desemprego e tinha um governo do PP de maiorias absolutas havia 20 anos.

Com apenas 5 mil euros de orçamento, um grupo de cerca de 60 pessoas criou uma estrutura absolutamente horizontal para acabar com 20 anos de governo à direita.

Um processo que foi responsável pelo seu sucesso.

E, contra todas as probabilidades, no dia 13 de julho de 2015, José María González Santos, um professor do Instituto, anticapitalista, era eleito o primeiro presidente da câmara de Cádiz em democracia.

O que deve ir das ruas para a instituição? Qual é a força das câmaras municipais? Como é que as políticas municipais de esquerda são implementadas a partir de instituições que não têm nem poderes nem dotações económicas, mas sim o compromisso e a necessidade de responder aos cidadãos? Pretendo usar o exemplo de Cádiz, uma das poucas cidades chamadas de “mudança” que revalidaram a câmara municipal (aumentando significativamente o número de votos) e onde a extrema-direita do Vox não veio para governar, como uma experiência bem-sucedida de um modelo municipal de esquerdas.

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