Uma investigação de uma universidade norte-americana identificou mil grupos de ódio nas redes sociais, com uma média de mil pessoas cada. Portanto, um milhão na ecologia do ódio. Mas há três mil milhões de pessoas nas redes sociais. O que é que elas fazem?
A resposta é entretenimento, comunicação, informação. São, assim, uma sociedade paralela e não menos real. Para esse mundo, está a ser criado um mecanismo de auto-referenciação, uma psicologia de reconhecimento e uma eficaz simulação de um sistema de amizade e contacto. Mas é um mundo de mundos fechados, em que a exuberância se multiplica como forma de ganhar destaque (e lucro). As redes sociais representam já um terço do tempo que passamos online e tornam-se um modo de informação (nos Estados Unidos, para os jovens, as redes sociais são três vezes mais representativas da informação do que a TV; há youtubers que são mais seguidos do que os telejornais de maior audiência). Ou seja, a intermediação mudou.
Não existe então tecnologia mais potente para criar senso comum. E é nisso que aposta a nova direita. Em campanhas de ódio, em técnicas eleitorais e em formatações de grupos de opinião. O que quero analisar é o sucesso que têm tido, porque razão esta tecnologia favorece a direita e não a esquerda, porque é que está a transformar a direita e porque é que é um processo de radicalização irreversível.
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