Telmo Correia assinou 300 despachos numa madrugada

04 de fevereiro 2008 - 13:20
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Telmo Correia, braço direito de Portas, garantiu à Estoril-Sol a propriedade definitiva do edifício do Casino Lisboa.Telmo Correia, dirigente do CDS/PP, assinou cerca de três centenas de despachos como ministro do Turismo na madrugada do dia em que o novo executivo, liderado por José Sócrates, foi empossado no Palácio da Ajuda. A notícia é avançada pelo Público, e confirma a manchete do Expresso: entre os despachos assinados estava a segunda versão do parecer da Inspecção-Geral de Jogos que implicava a não devolução ao Estado do edifício do Casino de Lisboa no final da concessão à Estoril Sol.  

Apesar de estar em gestão corrente, e depois de passar mais de 20 dias sem ir ao Ministério do Turismo, Telmo Correia fez uma maratona de 300 assinaturas na sua última madrugada enquanto Ministro.



Numa destas assinaturas de última hora, Telmo Correia deu "luz verde" a uma segunda versão de um parecer da Inspecção-Geral de Jogos. O documento permite a não devolução ao Estado do edifício onde está instalado o Casino de Lisboa, propriedade da Estoril Sol, e cuja concessão termina dentro de 30 anos.



No âmbito das escutas telefónicas ao ex-dirigente centrista Abel Pinheiro - relacionadas com o caso Portucale - O Expresso revelou várias conversas entre Telmo Correia, Paulo Portas e Luís Nobre Guedes que indiciam tentativas de alteração à lei, o que permitiria à Estoril Sol ficar com o edifício da Parque Expo. Além da mudança de pareceres da Inspecção Geral de jogos, terão existido pressões sobre o então Presidente da República Jorge Sampaio, que posteriormente promulgou as "desejadas" alterações à Lei do Jogo.



A legalidade desta operação é contestada por vários especialistas em direito administrativo, até porque as alterações promulgadas por Sampaio são posteriores à entrega do Casino Lisboa à Estoril-Sol. Telmo correia desmentiu a notícia e recusa ter cometido qualquer ilegalidade.



Esta situação já deu origem a uma investigação autónoma dirigida pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal.